|
03.11.2008
Água, Minérios e Modelo
Energético: Para que? E Para quem?
Este
documento procura trazer alguns debates em torno de três
bens naturais estratégicos: a água, os minerais e a energia.
A elaboração deste documento foi motivada a partir de um
debate realizado na Via Campesina Sul-Americana. No entanto,
é um documento inicial, elaborado a partir do pensamento do
MAB. Pode conter deficiências ou até mesmo contestações de
idéias.
Atualmente, a maioria dos países vive numa sociedade chamada
capitalista. E como sociedade capitalista o que interessa à
classe dominante é apenas o lucro. O sistema capitalista foi
crescendo e dominando. Nas últimas décadas, o capitalismo
avançou mais ainda, atualmente ele está no que chamamos de
fase imperialista. Na prática, quer dizer que grandes bancos
mundiais e grandes empresas multinacionais é que enriquecem
e buscam dominar o mundo todo, dominam o sistema financeiro,
as maiores indústrias, o comércio, a agricultura, os bens
naturais estratégicos, mandam em muitos governos e até
dominam vários países ao mesmo tempo. Em nome deste
‘progresso’ e ‘desenvolvimento’ estão destruindo a vida do
planeta como nunca visto na história da humanidade, a tal
ponto que a cada seis pessoas que vivem no planeta Terra,
uma passa fome.
Estas
corporações, geralmente estão sediadas nos países ricos
(EUA, Europa e Japão), mas algumas são dos chamados países
em desenvolvimento, caso do Banco Bradesco, da Odebrecht e
da Votorantim, todas empresas brasileiras. O único objetivo
destes grandes grupos tem sido garantir alto percentual de
lucro. A filosofia dos capitalistas hoje tem sido “investir
no lugar onde a taxa de lucro é a maior e onde ela se
realiza com o menor tempo e com o menor risco possível”. Na
prática o capital internacional prioriza:
-
Investir na esfera financeira (atualmente está
investindo na especulação do petróleo e dos alimentos);
-
Investir no endividamento público e privado (para
antecipar a apropriação da mais-valia e obter altas
taxas de juros);
-
Busca
ir onde a força de trabalho tem o menor valor, ou seja,
onde a mão-de-obra é mais barata (significa maior
extração de mais-valia);
-
Busca
investir em locais onde há tecnologias de maior
produtividade (hoje significa mais desemprego);
-
Busca
controlar as bases naturais vantajosas (de maior
lucratividade), ou seja, aquelas regiões e/ou recursos
naturais mais estratégicos.
-
Guerras (EUA possui 823 bases militares no mundo todo)
Como temos
acompanhado nestas últimas semanas, o mundo capitalista -
especialmente as idéias neoliberais que prevaleceram nas
últimas décadas - está quebrando, ou como eles próprios
dizem, ‘está derretendo’.
O sistema
financeiro está em crise e a crise está no centro do
imperialismo. Além da crise do sistema financeiro, e a
conseqüente diminuição das taxas de crescimento da economia
mundial, devem ser destacadas a crise energética, a crise
ambiental, a crise alimentar, a superexploração dos
trabalhadores/as, o desemprego estrutural, etc. Em fim, este
é o atual momento e a natureza do sistema capitalista. Suas
conseqüências, todos/as sabemos que recaem sobre os países e
regiões mais pobres, em especial sobre os países da América
Latina.
O campo é
foco de disputa pelo controle dos recursos naturais
estratégicos
A crise
tende gerar concentração e centralização da riqueza nas mãos
das corporações transnacionais e aumento de pobreza para
ampla maioria dos/as trabalhadores/as. Neste cenário, está
em curso uma ofensiva das grandes empresas multinacionais e
dos grandes bancos mundiais, sobre o campo dos países
latino-americanos, especialmente para dominar os recursos
naturais estratégicos: a energia, as terras (para produção
principalmente de agrocombustíveis, celulose e ‘alimentos’),
a água, os minérios e a biodiversidade (especialmente as
sementes).
Estas
empresas instalam-se no Brasil e nos demais países da
América Latina em busca, principalmente, de matérias-primas
agrícolas, minerais e energéticas com fins de exportação
(diga-se saqueio) para acumulação privada no contexto
internacional. Ou seja, o papel atribuído pelo capital
internacional na re-divisão internacional da produção e do
trabalho para América Latina é de meros exportadores de
matérias-primas agrícolas, minerais e energéticas.
Praticamente em todos os países latinos, os relatos são os
mesmos: há um avanço das multinacionais para controlar as
maiores reservas de água (e rios para construção de
hidrelétricas), e também sobre as reservas minerais e sobre
as terras.
As duas
regiões mais importantes geopoliticamente no contexto
internacional tem sido o Oriente Médio e a Amazônia. A
primeira região concentra aproximadamente 70% de todas as
reservas mundiais de petróleo, a segunda (Amazônia), é uma
das regiões mais ricas do mundo, com enorme diversidade,
concentra minérios, biodiversidade, água, terras, petróleo,
gás, etc. Não somente a Amazônia, mas a América Latina toda
tem sido estratégica para garantir a acumulação privada do
capital internacional.
A questão
da água
Na América
do Sul encontram-se quatro das principais reservas de água
estratégicas para o futuro da humanidade: temos as águas
costeiras; temos a Bacia Amazônica e a Bacia do Prata,
consideradas as duas maiores vazões hidrográficas da face da
Terra; e temos o Aqüífero Guarani, considerado a maior
reserva de água mineral do mundo, localizada no subsolo do
Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Nesta região, as
multinacionais estão comprando áreas localizadas exatamente
nos principais pontos de afloramento e recarga.
Á água é
fundamental à indústria, à agricultura e a toda vida humana.
Hoje, se consome cerca de 70% de toda água potável do mundo
na agricultura e 20% na indústria. Devido às técnicas
agrícolas de irrigação intensiva mais de 45 milhões de
hectares de terras já foram danificados. No entanto, nos
países industrializados (Estados Unidos, Europa, Japão, etc)
suas águas estão praticamente contaminadas.
Tudo
indica que nos próximos anos a disputa pelo controle das
águas potáveis estará no centro. As melhores terras
agrícolas, principalmente para produção de agrocombustíveis,
e/ou para celulose e/ou para produção das commodities
agrícolas, e as melhores reservas hídricas localizadas nos
países latinos, então sendo amplamente disputadas pelas
grandes empresas multinacionais.
No caso
dos rios, o interesse principal é para construção de
hidrelétricas, para gerar energia barata, para utilizar na
extração dos minérios e da celulose.
A questão
energética
Atualmente
o debate energético gira em torno de três fontes: o
petróleo, os agrocombustíveis e as hidrelétricas. Há o
debate também da celulose, como potencial para produção
futura de álcool.
Em nível
mundial, o petróleo tem sido a principal fonte de “energia
líquida” utilizada pelo conjunto da humanidade. A chamada
energia líquida, possui como característica, a facilidade no
seu transporte, permitindo abastecer regiões deficitárias.
São diversas formas possíveis de transporte, podendo ser
terrestre (em tanques de combustível), marítima (em navios
cargueiros), ou até transporte aéreo. No entanto, o petróleo
é parte do conjunto das fontes energéticas denominadas de
“energia fóssil”, que levou milhões de anos para se formar
e, ao ser consumida, suas reservas não se renovam. Além do
petróleo, o gás natural e o carvão mineral são de mesma
origem. As reservas mundiais de petróleo estão se esgotando
ou se tornando de difícil acesso, passando ser cada vez mais
caro, em menor quantidade e de pior qualidade.
Como
vimos, o Oriente Médio concentra as maiores reservas de
petróleo. Mas na América Latina, vários países são ricos em
energia fóssil, principalmente a Venezuela, o Brasil, que se
torna um gigante com as descobertas do pré-sal, e a Bolívia
(gás).
As
previsões indicam que o consumo de energia no mundo crescerá
71% até 2030, no entanto há uma tendência para diminuição
das reservas mundiais de petróleo, agravando ainda mais a
corrida pelo controle de todas as fontes de energia
economicamente viáveis.
O cenário
mundial de crise energética afeta principalmente os países
centrais do capitalismo (Estados Unidos, Europa e Japão)
pois são eles que consomem 70% de toda energia do mundo,
apesar de possuir apenas 21% da população mundial. A solução
que estes países estão buscando, tem sido a tentativa de
encontrar novas matrizes, como a biomassa, a eólica, a
solar, a hídrica, etc, no entanto é impossível atender a um
padrão de consumo baseado nos países centrais.
Este
cenário energético trás várias conseqüências:
-
Especulação com elevação dos preços internacionais do
petróleo;
-
Disputas mundiais imperialistas pelo controle das atuais
reservas energéticas;
-
Elevação do custo de produção dos alimentos, por termos
um modelo de agricultura petrodependente;
-
Transferência da indústria eletrointensiva (mineradoras
e celulose) aos países periféricos;
-
Corrida pelo controle das fontes energéticas
estratégicas: terras para produção de agrocombustíveis,
controle dos rios para construção de hidrelétricas, etc.
-
Mudança na função social da agricultura: em vez de
produzir alimentos passam a produzir energia ao
imperialismo, e
-
Retomada e aceleração da construção de grandes obras de
geração de energia elétrica nos países da América
Latina, em especial as hidrelétricas, e o avanço das
multinacionais sobre as terras para produção de
agroenergia.
Retomada e
aceleração da construção de hidrelétricas
Essa
corrida das multinacionais para construir e dominar as
hidrelétricas se deve ao fato de que a energia hídrica
permite as maiores taxas de lucro. No caso brasileiro, 2007
foi o ano que este setor conseguiu os seus maiores lucros da
história do setor elétrico, perdendo apenas para os bancos.
As 17 maiores companhias de energia elétrica tiveram uma
receita líquida de R$ 64 bilhões, sendo que R$ 12 bilhões
foi de lucro limpo.
A energia
proveniente de hidrelétricas (da forma como tem sido a
construção de represas), é considerada uma das fontes mais
baratas. A energia hídrica apresenta uma “base natural
vantajosa” em relação às demais fontes, motivo da brutal
corrida das multinacionais para dominar este setor tanto na
geração como na distribuição. Vejamos algumas
características da fonte hídrica:
-
A
energia hídrica apresenta alta produtividade, ou seja,
eficiência energética de 94%, enquanto a térmica,
apresenta no máximo 30% de eficiência.
-
Apresenta baixo custo de produção, a matéria prima
utilizada nas turbinas (água) não apresenta nenhum custo
de produção, ao contrário da energia térmica em que a
matéria prima é o petróleo.
-
É
renovável, alterando apenas sua intensidade conforme as
estações do ano, conforme a intensidade das chuvas, e
permite o armazenamento da água em lagos para uso
posterior.
-
A
mesma água de um rio pode ser utilizada diversas vezes,
basta que sejam construídas diversas hidrelétricas num
mesmo rio.
-
O
chamado “Sistema Interligado”, permite levar e ceder
energia de uma região para outra, conforme a intensidade
das chuvas, fazendo os lagos das hidrelétricas funcionar
como uma grande caixa de água e obter ganhos de até 22%
na eficiência. Ou seja, permite o controle sobre todo
rio, sobre a Bacia Hidrográfica, inter-bacias e
inter-regiões, e entre países.
Com as
privatizações, a energia elétrica passou a ser controlada e
colocada a serviço das grandes empresas transnacionais. A
geração elétrica de nossos países tem como destino abastecer
os grandes consumidores de energia elétrica, principalmente
a chamada indústria eletrointensiva (celulose, alumínio,
ferro, aço, entre outras) e os grandes supermercados
(shoppings), oferecendo a estes energia subsidiada. No
Brasil, atualmente, existem 665 grandes consumidores de
energia e sozinhos consomem aproximadamente 30% de toda
energia elétrica brasileira, além disso, recebem energia ao
preço de custo real.
Exemplo:
As mineradoras VALE e ALCOA e a produtora de celulose
Votorantim, recebem energia do governo brasileiro a 4
centavos o kWh (seus contratos são de 20 anos), enquanto a
população brasileira paga 50 centavos de reais pelo mesmo
kwh. Ou seja, com a privatização do setor elétrico as
tarifas representam um verdadeiro roubo sobre toda população
brasileira.
Em dez
anos de privatização, os aumentos nas tarifas ultrapassam
400%, elevando desta forma os preços da energia elétrica do
Brasil em patamares de tarifas internacionais (padrão
petróleo/energia térmica), mesmo que nossa matriz tenha 80%
da energia elétrica de fonte hídrica. O discurso de escassez
tem sido o principal argumento ideológico para justificar
aumentos de tarifas, para justificar novas obras e também
para garantir o financiamento público através do BNDES.
Atualmente
a distribuição de energia elétrica está organizada de uma
forma que permite a máxima exploração dos mais pobres e ao
mesmo tempo privilegia os mais ricos (os grandes
consumidores). No Brasil e em grande parte dos países
latinos, o modelo energético permite ao capital
internacional obter lucros extraordinários, para serem
remetidos às suas matrizes nos países centrais. A
SUEZ-Tractebel, multinacional francesa, em 2007 faturou no
Brasil 3 bilhões de reais com a venda de energia, sendo R$ 1
bilhão de lucro.
Neste
cenário de crise do petróleo, de busca de alternativas
energéticas e o grande potencial hidráulico nos países da
América Latina e os altos lucros obtidos com a
hidroeletricidade, observa-se uma aceleração na construção
de hidrelétricas, seja de pequeno porte ou grandes.
No mundo
existem mais de 45.000 grandes represas construídas e já
expulsaram das terras mais de 80 milhões de pessoas, a
maioria sem receber nada. Além disso, existem hoje cerca de
1.600 represas em construção no mundo. Essas obras
movimentam aproximadamente 50 bilhões de dólares por ano.
O
aproveitamento do potencial hidrelétrico no mundo revela que
na maioria dos países ricos e desenvolvidos, os principais
rios já foram utilizados para construção de usinas. Nestes
países, o aproveitamento chegou em seu limite máximo,
apresentando enormes dificuldades na construção de novas
represas. Com isso, a indústria de barragens (Siemens,
Alstom, General Elétric, VA Tech, etc) obrigam-se a
encontrar novas regiões no mundo para manter seus negócios e
faturamentos.
A China,
que possui o maior potencial do mundo, é o país que mais
constrói hidrelétricas no momento. Atualmente são 50.000 MW
em construção e mais 30.000 MW para serem iniciados. Demanda
apresentada em função de seu crescimento econômico e
principalmente porque há uma acelerada transferência da
indústria mundial àquela região.
No caso
brasileiro, temos o terceiro (10%) maior potencial de
hidroeletricidade do mundo, ficando atrás da Rússia (13%) e
da China (12 %). Para os próximos 25 anos (até 2.030),
conforme o “Plano Nacional de Energia 2030”, há uma previsão
de acrescentar mais 130.113 MW de energia elétrica ao
sistema brasileiro. Deste total, 94.700 MW deverão ser de
fonte hídrica (87.700 MW através de hidrelétricas de grande
porte e 7.000 MW através de Pequenas Centrais
Hidrelétricas). Em questão de investimentos, prevê-se a
necessidade de U$ 286 bilhões (algo em torno de 500 bilhões
de reais). Levando em consideração somente os próximos dez
anos, “O Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica
2007/2016, apresenta um conjunto de 90 usinas hidrelétricas
a serem construídas, que totalizam uma geração prevista de
36.834 MW.
Quem são
nossos inimigos
O modelo
energético, está organizado com mecanismos e lógica de
funcionamento do “capital financeiro”, organizado em um
grande “monopólio” privado do capital internacional para
permitir a especulação e as maiores taxas de lucro.
Atualmente, os chamados “donos da energia”, tem sido uma
fusão de grandes bancos mundiais (Santander, Bradesco,
Citigroup, Votorantim, etc), grandes empresas energéticas
mundiais (Suez, AES, Duke, Endesa, General Eléctric,
Votorantim, etc), grandes empresas mineradoras e
metalúrgicas mundiais (Alcoa, BHP Billiton, Vale,
Votorantim, Gerdau, Siemens, General Motors, Alstom, etc),
grandes empreiteiras (Camargo Correa, Odebrecht, etc), e
grandes empresas do agronegócio (Aracruz, Amaggi, Bunge
Fertilizantes, Stora Enso, etc). Este bloco de capitalistas
internacionais formam uma forte aliança em torno de três
grandes blocos de capital: o capital financeiro, capital
minero-metalúrgico-energético e o capital agro-negócio. Ou
seja, os grandes bancos internacionais e as multinacionais
têm sido nossos principais inimigos.
Desafios
O problema
central na questão da energia é o atual modelo energético,
que busca garantir as mais altas taxas de lucro em todas as
áreas que compreende o setor elétrico. Na esfera financeira,
as empresas energéticas exigem que se tenha uma “boa imagem”
de cada empresa, que seja a mais rentável de todas batendo
recordes de lucro a cada ano e que tenha uma imagem liga a
preservação ambiental, com isso, conseguem enormes ganhos no
mercado de ações; na esfera da circulação de mercadorias, a
tarifa de energia elétrica tem sido uma verdadeira mina de
ganhar dinheiro em cima de toda população, porque cobram
preços que representam um verdadeiro roubo; e na esfera da
produção de mercadorias, a construção das hidrelétricas e a
geração de energia também se tornou um dos negócios mais
lucrativos do atual sistema, pois lucram com a venda de
máquinas e equipamentos, lucram porque o Estado é quem
financia quase a totalidade das obras e lucram com a venda
da energia gerada.
A
construção de hidrelétricas, a multiplicação das mineradoras
e de empresas de celulose está dentro de uma lógica.
Vejamos: a) constroem-se hidrelétricas financiadas com
dinheiro público, b) vende-se esta energia gerada por preços
internacionais ao povo de cada país para obter o máximo de
lucro, c) no caso dos grandes consumidores, recebem energia
subsidiada, a preço de custo, das empresas do governo, para
abastecer suas indústrias eletrointensivas (minerais e de
celulose), e d) a produção final destas indústrias é enviado
(exportado) aos países centrais, a custos baixíssimos,
inclusive com isenção de impostos. Ou seja: todos os planos
de novas hidrelétricas, de mineradoras e de celulose estão
minuciosamente articulados a serviço da acumulação
imperialista.
Na esfera
da produção (geração de energia) a luta contra as
hidrelétricas e a luta para combater a exportação de
produtos de alta densidade energética com fins de acumulação
capitalista (as eletrointensivas - mineradoras e celulose)
tem se transformado numa luta anti-imperialista, e por isso
deve ser fortalecida, porque o enfrentamento se concentra
contra as maiores transnacionais do mundo.
Na esfera
da circulação, a luta das tarifas, apesar de seu caráter
tático, também pode ser uma luta importante, pois afeta a
esfera de realização dos lucros pelos capitalistas, além de
afetar quase que a totalidade da população de cada país e
possibilita estabelecer alianças com a população urbana.
Pagamos uma das tarifas de energia elétrica das mais caras
do mundo, enquanto isso, os grandes consumidores
(multinacionais) têm recebido da mesma energia, a preços dez
vezes mais baixo que a população em geral.
Afirmamos
que a maior parte das obras em andamento está pensado na
lógica do atual modelo energético, e portanto, são
anti-povo. combatê-las, deve ser um compromisso de todo
povo, do campo e da cidade. Não se trata de uma luta apenas
da população atingida pelas represas ou pelas mineradoras,
assim como a luta das tarifas, toda população é afetada.
As
riquezas naturais são do povo e devem estar a serviço do
povo. A luta da energia e a luta em torno dos projetos
minerais devem ser entendidas como lutas por soberania de
cada país e ao mesmo tempo de caráter anti-imperialista.
Estas lutas devem ser entendidas em sua totalidade, como
parte da luta pela transformação do atual modelo de
sociedade.
Na América
Latina os desafios são enormes, são centenas ou até milhares
de projetos hidrelétricos e de mineradoras em fase de
expansão. Ao mesmo tempo milhares de campesinos e
populações originárias estão ou serão afetadas. Por isso
mesmo, temos o desafio de fortalecer ou criar organizações e
movimentos sociais em cada país, organizar e fortalecer este
potencial de luta. Além de buscar fortalecer cada vez mais
as articulações internacionais para construção permanente da
unidade no campo e do campo/cidade.
Temos uma
longa caminhada, e desde já deixamos o desafio de fortalecer
a luta e a organização em torno destes setores estratégicos
apresentados durante o desenvolvimento deste texto.
Água e
energia não são mercadorias!
Texto
elaborado pelo Movimento dos Atingidos Por Barragens (MAB)
Outubro de 2008. |