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MAB - A resistência dos atingidos
Enquanto os construtores de barragens
prometem o desenvolvimento às regiões atingidas, o que se assiste é sua
transformação em jazidas de energia que vão servir a outras regiões. A
interligação dos sistemas, que permite consumir em qualquer parte do
território nacional a energia produzida, seja onde for, facilita esta
situação. Assim, por exemplo, nas vizinhanças de Tucuruí há
localidades sem energia elétrica: ao lado destas localidades passa o linhão
que abastecerá as fábricas que produzem o alumínio que será exportado.
Em toda a parte os atingidos começaram a
se organizar. Em 1989 se reúne o I Encontro Nacional de Trabalhadores
Atingidos por Barragens, e, em março de 1991, durante o I Congresso
Nacional de Atingidos por Barragens, nasce o Movimento Nacional de
Atingidos por Barragens – MAB. A criação do movimento nacional era o
resultado de uma amadurecimento dos movimentos nos vales e regiões:
estava ficando claro que, além de luta contra esta ou aquela barragem, além
de organizar e mobilizar os atingidos para defenderem seus direitos, o MAB
teria que confrontar-se com um modelo energético, nacional, e mesmo
internacional.
A luta do MAB tem por cenário os vales: é
nestes vales, nas barrancas dos rios que os atingidos lutam para defender
seus direitos, e, também, a integridade ambiental dos rios, da fauna, da
flora. Mas a luta dos atingidos se desdobra em luta nacional e
internacional por um outro modelo energético.
Por esta razão, deste o III Congresso
Nacional, de 1996, o MAB vem lutando por uma nova política energética
que:
O MAB é hoje um forte movimento popular, autônomo, organizado
local, regional e nacionalmente. Ele visa reunir, discutir, esclarecer e
organizar os atingidos direta e indiretamente pelas barragens, obras pré-construídas
ou projetadas, paras defesa de seus direitos, sem fronteira de países,
cor, sexo, religião ou opção político-partidária.
O Movimento é contra os planos que impõem a construção de
grandes barragens sejam elas estatais, privadas, financiadas ou não por
agências internacionais. O MAB incentiva
a busca e luta por alternativas para a geração e distribuição de
energia que modifiquem a atual matriz energética brasileira, o que
somente será possível através de um real democratização da política
energética e de seu compromisso com um projeto de sociedade socialmente
justo e ecologicamente responsável.
O MAB incentiva a luta como processo no qual os atingidos vão
tomando consciência de sua
situação, participando integralmente de sua organização e decidindo
com responsabilidade sobre o seu destino coletivo.
O MAB reconhece como seus aliados todos os movimentos
populares, em primeiro lugar aqueles que lutam pela reforma agrária. O
MAB busca aliar-se àqueles movimentos, grupos e organizações que
compreendem a necessidade de uma transformação profunda na matriz energética
brasileira, de modo a colocá-la a serviço do povo e adequá-la a uma
concepção de desenvolvimento que considere a necessidade de preservar os
recursos ambientais e, sobretudo, os recursos hídricos.
O MAB se solidariza com a luta de todos os
atingidos por barragens no mundo e compreende o caráter internacional da
luta contra grandes barragens, uma vez que os interesses que fomentam a
indústria de grandes barragens são também internacionais.
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