Complexo Tapajós

Aconteceu ontem (15 de abril) o primeiro Encontro das Mulheres Sem Teto organizadas no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Itaituba, região do Tapajós (PA). A atividade aconteceu no acampamento do Km 5, uma área ocupada por famílias para lutar por moradia

A audiência seria parte do processo de concessão das Florestas Nacionais (Flonas) Itaituba 1 e 2, a primeira vizinha e a segunda integralmente sobreposta à Terra Indígena Sawre Muybu. Sob ameaça de hidrelétricas, mineradoras e madeireiros, a demarcação desta terra tem sido uma das principais lutas dos Munduruku nos últimos anos.

Cerca de 400 famílias organizadas no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) ocupam área urbana no município de Itaituba (Pará) com a pauta da moradia. A área ocupada fica a 5 km do centro da cidade e próximo ao residencial Wirland Freire (rodovia Transamazônica), do programa Minha Casa Minha Vida.

Cerca de 450 famílias sem moradia ocuparam um terreno abandonado na área conhecida como Lagoa do Irajá, em Itaituba (PA). As famílias estão sendo organizadas pelo movimento União Sem Teto junto com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

A área estava servindo de depósito de lixo e também para fins ilícitos. Resto mortais de animais e até de pessoas já foram encontrados na localidade, segundo informações de moradores próximos.

Do Jornal do MAB

Após um processo de lutas dos indígenas e ribeirinhos com apoio de diversas organizações, o licenciamento da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós foi cancelado pelo Ibama. A hidrelétrica é a maior prevista para ser construída no rio Tapajós (PA), com 8.040 MW de potência, e era a obra com o processo mais avançado entre as cinco hidrelétricas em estudo para o rio (além de um conjunto de 40 para a bacia, incluindo Teles Pires, em construção no Mato Grosso).

Nós mulheres da região do Tapajós, trabalhadoras do campo e da cidade reunidas no centro de treinamento do Laranjal em Itaituba no seminário “Mulheres em Luta Construindo a Resistência” * viemos denunciar o conjunto de violações que já sofremos com o descaso do Estado e a ausência de políticas públicas. Com a chegada dos grandes projetos para essa região como Hidrelétricas, Portos e Mineração, nós mulheres já estamos vivenciando os impactos desses empreendimentos, alguns já em curso e causando graves violações de Direitos Humanos. Desta forma:

Mulheres da região do Tapajós estiveram reunidas nesta quinta e sexta-feira (8 e 9) em Itaituba (PA), no Seminário “Mulheres em Luta Construindo a Resistência”. Na atividade, as mulheres debateram sobre as violações de direitos que enfrentam com a ameaça dos projetos previstos para a região (hidrelétricas, portos, mineração) e ausência de políticas públicas e qualificaram sua pauta de reivindicações.

Indígenas, ribeirinhos e organizações sociais entregaram ontem (1º de dezembro) um abaixo assinado ao Ministério do Meio Ambiente contra as barragens no Rio Tapajós. Os indígenas Mundurukus também denunciam as ameaças e intimidações que estão sofrendo dos madeireiros na região, além da garimpagem ilegal nas terras indígenas e comunidades tradicionais.

As arpilleras bordadas pelas mulheres atingidas por barragens na Amazônia, foram expostas durante o “2º Seminário de Etnobiodiversidade e Questões Socioambientais na Amazônia: saberes conjugados e socialidade multicultural”, nos dias 26 e 27 de outubro de 2016 na comunidade Vila Que Era e no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Bragança (PA).   

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizou no último sábado (22) o seminário "Grupos Vulneráveis e Violações de Direitos Humanos com a chegada dos Grandes Projetos na Região do Tapajós", em Itaituba (PA). A atividade integra o projeto “Direitos das Mulheres Atingidas por Barragens”, realizado com apoio da Christian Aid e União Europeia.