Jirau

Representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) estiveram no palácio Presidente Vargas, na manhã de segunda-feira (3), para pedir ao Governo do Estado de Rondônia intermediar junto às empresas responsáveis pela construção das usinas do Madeira a garantia de alguns benefícios e a resolução de problemas enfrentados pelas famílias dos atingidos, formadas em grande parte por ribeirinhos, pescadores, agricultores e extrativistas Na ocasião, os militantes foi recebida pelo secretário da Casa Civil, Ricardo de Sá Vieira.

Até hoje, a verdade mais aceita sobre o incêndio nos alojamentos dos trabalhadores e em veículos da Usina Hidrelétrica de Jirau, há cerca de quatro meses, é a de que uma discussão entre um funcionário e um motorista de ônibus teria motivado uma rebelião entre os trabalhadores.

As obras das hidrelétricas de Jirau (RO) e Belo Monte (PA) começam a mostrar o verdadeiro efeito que trarão para as comunidades locais, como perda de moradia, repressão e perseguição a organizações de funcionários e o desrespeito a leis trabalhistas. Leia reportagem especial do Brasil de Fato.

Nesta tarde (5), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Rondônia foram recebidos em audiência pela presidenta Dilma, que viajou até Porto Velho. Na audiência, os atingidos e os operários entregaram à presidenta uma carta com demandas das duas categorias.

Entre as demandas dos ribeirinhos da região está o asfaltamento da estrada Penal e a instalação de rede de água potável nas comunidades do baixo Madeira. O Movimento também enfatizou a violação dos direitos humanos no processo de construção das usinas hidrelétricas no Rio Madeira

O documentário retrata a luta das comunidades ribeirinhas no Rio Madeira, em Rondônia, contra a violência das empresas que se apropriam de seu território para a construção de duas usinas hidroelétricas - Santo Antonio e Jirau. O documentário representa uma denúncia contra o modelo energético que beneficia grandes empresas nacionais e estrangeiras e deixa uma herança de destruição para a população local e para os trabalhadores.

Os problemas incluem sub-indenização de terras e benfeitorias, alteração do modo de vida dos reassentados, com redução significativa da renda familiar, concessão de lotes muito pequenos e em área de baixa fertilidade. É o que constatou a Relatoria Nacional para o Direito Humano.

Em Jirau, os casos de estupro aumentaram em 208% e quase 200 crianças permanecem fora da escola. A maior preocupação é que violações desse tipo tendem a se repetir em Belo Monte.

Ainda estudante de Direito, Cíntia Peganotto assistiu as audiências públicas promovidas pelo Consórcio Santo Antônio Energia (Saesa), responsável pela construção da usina Santo Antônio, e pelo Energia Sustentável, que ergue Jirau, em que explicavam o que estava por vir. Ao invés do debate com a população, havia muita propaganda institucional, lembra ela. Ficava claro que o futuro não seria tão promissor quanto juravam.