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RIO SÃO FRANCISCO
A luta pela revitalização e
por alternativas viáveis
No
final de novembro de 2007, o bispo Dom Luiz Flavio Cappio retomou a
greve de fome e orações em um ato de resistência contra o projeto de
transposição das águas do Rio S. Francisco. Este gesto de coragem
recebeu apoio e manifestações de diversas organizações, entre elas o
MAB, em todo o país.
Mas, porque o povo nordestino e brasileiro luta contra a
transposição?
Ao
contrário do que dizem os defensores do projeto, a transposição das
águas do São Francisco não irá beneficiar o povo nordestino. Vai
beneficiar sim o agronegócio, os grandes irrigantes, criadores de
camarão, grandes indústrias e pólos siderúrgicos voltados para a
exportação.
Para construir esse projeto megalomaníaco, cerca de R$ 4,5 bilhões
de reais sairão dos cofres públicos (fora os custos anuais de
manutenção do projeto). Além disso, muita energia elétrica será
despendida nessas obras e, posteriormente, no bombeamento das águas.
Para dar suporte energético à transposição, novas barragens serão
construídas, causando mais destruição ao meio-ambiente e deslocando
mais pessoas de suas casas.
Em
contraposição, Dom Luiz e os movimentos sociais propõem alternativas
de abastecimento de água mais baratas e com menos danos ao
meio-ambiente. O semi-árido brasileiro tem a maior quantidade de
água armazenada em açudes no mundo, no entanto, esta água não é
distribuída. As 530 obras do Atlas do Nordeste da Agência Nacional
de Águas (ANA) abasteceriam 1356 municípios da região semi-árida,
beneficiando 44 milhões de pessoas, pela metade do preço da
transposição.
As
barragens do nordeste
No
projeto da transposição estão previstas as construções das barragens
de Riacho Seco (240 MW de potência) e de Pedra Branca (320MW). Ambas
atingem os estados de Pernambuco e Bahia. Segundo Josivaldo
Oliveira, da coordenação do MAB, o lago destas usinas vai atingir
territórios dos índios Timbalalá e poderá alagar um reassentamento
de atingidos pela barragem de Itaparica.
A
UHE de Itaparica já foi palco de luta e resistência dos atingidos
contra projetos que só beneficiam empresas privadas e
multinacionais. Em 1977, com a conclusão da barragem de Sobradinho,
a 50 km de Juazeiro (BA), formou-se um lago artificial com área de
4.214 km2 e capacidade para 37,5 bilhões de metros
cúbicos de água, o coração artificial e doente do Rio São Francisco,
como o próprio bispo se referiu. Essa represa submergiu quatro
cidades (Casa Nova, Sento Sé, Remanso e Pilão Arcado) e dezenas de
vilarejos, onde mais de 70.000 pessoas foram deslocadas.
O
MAB vem fazendo um grande trabalho de base nas regiões que serão
afetadas pelas barragens da transposição e está recebendo bastante
apoio da população.
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