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O ATUAL MODELO ENERGÉTICO

O Brasil tem um potencial energético bastante rico em ventos, sol, biomassa, pequenos aproveitamentos nos rios... Nossos governantes optaram por produzir energia através de barragens.

Como é produzida nossa energia

O modelo energético baseado na produção de energia hídrica significa 20% de toda energia produzida no mundo. Esta forma de produção de energia já expulsou de suas terras de 40 a 80 milhões de pessoas no mundo. No Brasil 92% da energia produzida vem da fonte hídrica, já tendo expulsado mais de um milhão de pessoas de suas terras.

O Brasil tem mais de 2.000 barragens construídas em todo o país, alagando uma área de 34 mil km2 (o Estado de Alagoas tem 29 mil km2). Do potencial brasileiro estimado em 260,3 mil MW, o Brasil aproveita 61 mil MW (25%). Praticamente 2/3 (63,6%) deste potencial encontra-se localizado na Região Amazônica, principalmente nos rios Tocantins, Araguaia, Xingú e Tapajós, onde a geração é de alto Impacto Ambiental e de elevado custo de transmissão. Outros 20% do potencial encontra-se no sul, nas bacias dos rios Paraná e Uruguai, onde atingiria áreas de grande densidade populacional e inutilizaria terras férteis.

O Plano 2015 do governo federal prevê a construção de mais 494 Usinas Hidrelétricas, tendo como estimativa a expulsão de 800 mil pessoas de suas terras.

A produção de energia de fonte hidrelétrica era tida como limpa e barata. Mas, além de toda a destruição social e econômica que causam, as barragens provocam muitos problemas ambientais. Por exemplo, as árvores que permanecem no lago formado pela barragem se decompõem. O apodrecimento do material orgânico forma os paliteiros e emite grande quantidade de gases, como o gás metano e gás carbônico, causadores do efeito estufa (aquecimento global da atmosfera). Foi o que aconteceu nos reservatórios das hidrelétricas já construídas na região amazônica, como Tucuruí (PA), Balbina (AM) e Samuel (RO). 

A partir destes exemplos, se todas as barragens que estão projetadas na Amazônia forem construídas, estima-se que serão emitidos cerca de 231 milhões de toneladas equivalentes de gás carbônico por ano. Esse volume corresponde a 75% ou ¾ da quantidade de emissão líquida total de gás carbônico no ano de 1999, proveniente da queima dos combustíveis fósseis – petróleo, carvão e gás natural, além da lenha e carvão vegetal com origem da mata nativa. Em 1999, a emissão total de gás carbônico por fontes energéticas foi de 315 milhões de toneladas. 

Ou seja, a hidroeletricidade que é vista como “limpa” pode aumentar em muito a quantidade que o Brasil já lança para a atmosfera de gás carbônico, o principal gás causador do efeito estufa. Como é consumida a energia elétrica produzida
Quem é que consome a eletricidade no Brasil e de quanto é esse consumo? A resposta a esta pergunta é importante se saber pois com estes dados é possível identificar as responsabilidades e redefinir o atual modelo social e econômico.


O Brasil consome por ano 320 bilhões de quilowatts/hora. A metade desta energia vai para as indústrias, conforme mostra a tabela abaixo:

SETORES PERCENTUAL DE GASTOS
1. Indústria: Pesada* Total 48,4
2. Residencial 25,3 
3. Comércio/Serviços 13,5
4. Serviços Públicos 8,7 
5. Agropecuária 3,8
TOTAL 100 %

* Indústrias de Cimento, Siderúrgica (Aço), Metalurgia (Ferro-ligas,Alumínio), Química, Papel e Celulose.

Dentro do setor industrial é importante destacar que grande parte deste consumo é feito pelas empresas chamadas eletrointensivas, que na tabela aparecem como indústrias pesadas. Estas indústrias têm como características serem grandes consumidoras de energia, empregam muito pouca gente e poluem o meio ambiente. Além disto, grande parte da produção destas empresas é para exportação.


Outro exemplo é o dos Shopping Centers, espaços que consomem muita energia com iluminação e refrigeração, e tudo isto para criar um espaço onde pobre não entra, e que acaba com o pequeno comércio e o sustento de muitas famílias.




Gasto mensal de energia em uma casa com:

Eletro/eletrônicos

Consumo

1 Geladeira:

60 kWh

5 Lâmpadas:

45 kWh

1 Chuveiro Elétrico:

90 kWh

1 Ferro Elétrico:

12 kWh

1 Lava roupas:

9 kWh

1 Televisão:

9 kWh

1 Aparelho de som:

3 kWh

Total:

228 kWh



As campanhas do governo somente fazem referência ao consumo das casas, como se este setor fosse o responsável pela crise. Bastava paralisar uma parte das empresas eletrointensivas para chegarmos à meta de economia de energia necessária.

As casas brasileiras consomem em média somente 170 kWh por mês. Isso significa que grande parte dos consumidores residenciais não consome os 228 kWh que seria o mínimo necessário para garantir uma qualidade de vida que a eletricidade pode proporcionar. E este consumo de 228 kWh pode ser reduzido com equipamentos mais eficientes se uma política séria de conservação de energia fosse aplicada. Pelo contrário, o que vimos na crise foi um brutal aumento do preço das lâmpadas mais eficientes (chamadas de fluorescentes compactas) que, sem o contrôle do governo, fizeram a ganância dos fabricantes e dos comerciantes.

Alguns dados importantes:

  • 1.000 MWh consumidos na indústria de alimentos e bebidas geram 70,2 empregos

  • 1.000 MWh consumidos na indústria de alumínio geram 2,7 empregos

  • 20,3 milhões de pessoas no Brasil não tem acesso à energia elétrica (5 milhões de domicílios sem eletricidade)

  • No meio rural somente 32,8% das propriedades tem energia elétrica.

  • Na região Norte somente 2% das propriedades.

  • No Nordeste somente 13 % das propriedades.

  • 6% da população mundial que vive nos países ricos consome 1/3 de toda a energia produzida no mundo.


  • Tarifas: o Preço da Energia

    O custo médio de produção de energia elétrica calculado para cada MWh (ou cada mil quilowates-hora) no Brasil é de R$ 35,00 reais. Algumas hidrelétricas mais antigas tem um custo menor que R$ 8,00 o MWh.

    A cobrança das tarifas são diferenciadas para os diferentes setores. Os consumidores residenciais estão pagando em média R$ 210,00 reais por MWh, enquanto que o setor industrial está pagando R$ 74,00. Mas, ainda tem indústrias que pagam muito menos. A Companhia ALBRÁS, instalada no Pará, que produz alumínio para exportar para o Japão paga R$ 20,00 por MWh. A Eletronorte subsidia os preços da energia de Tucuruí a ser fornecida às indústrias de alumínio. Cerca de 250 milhões de dólares a cada ano são repassados, sob a forma de subsídio, às indústrias exportadoras de alumínio, o que significa que estamos subsidiando o consumo de alumínio nos países dominantes.

    Quem se beneficia com este modelo:

    • O Governo Federal que aplica este modelo;

    • Grupos financeiros;

    • Empreiteiras construtoras;

    • Empresas de Equipamentos.


    Através do exemplo de uma barragem vamos ver quanto ganha de lucro as empresas donas de barragens:

  • Barragem: UHE ITÁ

  • Local: Rio Uruguai- RS/SC

  • Dono da Barragem: Consórcio TRACTEBEL/GERASUL, CSN, Cia. Cimento Itambé e Grupo Odebrecht

  • Concessão: 30 anos 

  • Custo da Obra: R$ 2 bilhões

  • Capacidade Instalada:1.450 MW

  • Produção anual de energia: 7.250.000 MWh

  • Custo de Geração: RS$ 35/MWh

  • Preço Médio de Venda da energia*: R$ 100,00/MWh

  • Faturamento Líquido Anual: R$ 470 milhões

  • Tempo para pagar a Obra: um pouco mais de 4 anos

  • Lucro Garantido durante 25 anos: R$ 11 bilhões e 750 milhões

  • * Com a crise o preço já chegou a R$ 660,00/MWh. Em média no mercado “spot”, o preço é R$480,00 o MWh 


    Lucro/corrupção das empreiteiras: A barragem de Tucuruí custou 4 vezes mais que o preço previsto. A Barragem de Itaipu custou 3 vezes mais que o valor previsto. A crise de falta de energia existe? O Povo é culpado pela crise? Sim, há falta de energia, mas são três os causadores da crise de energia, que nada tem com a seca, ou com São Pedro:

    1. O Modelo excludente de produção e consumo aplicado: O Brasil tem um modelo mono-gerador de produção de energia, pois 92 % da energia é Hidrelétrica. Este modelo causa imensos problemas sociais, econômicos e ambientais. Por outro lado o maior consumo de energia é de empresas eletrointensivas que produzem para exportação (modelo exportador de energia).

    2. O Governo Federal: Que ao invés de planejar, pesquisar e investir, aplica este modelo excludente, privatizando o setor e entregando dois bens estratégicos que são a água e a energia para as empresas nacionais e multinacionais. Os recursos da privatização foram gastos para o pagamento da dívida externa.

    3. As Empresas que manipulam o sistema para lucrar, para ganhar grandes somas de dinheiro,seja na produção como também no consumo de energia.

    Consequências deste Modelo Energético

    No Brasil: - 1 milhão de pessoas atingidas diretamente pela construção de barragens; - 34 mil km2 (ou 3,4 milhões de hectares) de terra alagada pelos reservatórios; - Tem os maiores lagos artificiais do mundo:  Sobradinho (3.970 km2), Tucuruí (2.430 km2),Balbina (2.360 km2), Serra da Mesa (1.784 km2) e Itaipu (1.350 km2); - Os maiores escândalos: financeiros (CAPEMI), tecnológicos (Balbina), Sociais (Itaparica) e Ecológicos (Tucuruí); - 30% da Dívida Externa é decorrente do setor elétrico; - Entrega de dois bens fundamentais para a soberania brasileira: a água e a energia - Mais de 20 milhões de brasileiros sem energia elétrica;

    No Mundo: - 45.000 barragens construídas; - No mundo as barragens atingiram diretamente 80 milhões de pessoas; - Degradaram e fragmentaram 60% dos cursos d’água; - 2 bilhões de pessoas não tem acesso a eletricidade; - 2/3 das barragens estão em países pobres; destruição de florestas, redução da biodiversidade, diminuição da qualidade da água e emissão de gases que agravam o efeito estufa; empobrecimento e desestruturação das populações que moram perto das barragens.



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