Aumento da população impulsiona luta por moradia em município atingido por Belo Monte

Famílias sem teto ocupam terreno esquecido pelo poder público em Brasil Novo (PA). O município vem sentindo o impacto da construção da barragem de Belo Monte, com o aumento no valor dos imóveis e pressão na demanda por moradia

Cerca de 200 famílias sem teto ocuparam no último final de semana um terreno de cerca de cinco hectares no bairro Cidade Alta, em Brasil Novo (PA). Segundo os acampados, o terreno era do município e foi doado ao estado em administração anterior para construção de uma escola. A obra não aconteceu.

Os acampados contrataram um topógrafo para fazer a divisão dos lotes, de 20 X 10 metros. Cada família está contribuindo com R$ 20,00 para o pagamento. Nesta semana, o topógrafo já está medindo cada lote. Ontem o helicoptero da Polícia Militar sobrevoou a área, alimentando o boato de que as famílias poderiam ser despejadas.

"Aqui somente as pessoas maiores de idade tiram terra, quem já tem não ganha e o lote não poderá ser vendido. Queremos lutar por quem não tem moradia", afirmou Lucivanda, uma das acampadas.

O secretário de Administração e Finanças da Prefeitura de Brasil Novo, Sandro dos Santos, confirmou que o terreno era do Município e foi realmente doado ao estado na administração do prefeito Antônio Lorenzoni, já falecido. "A condição é que se o estado não construísse a escola, o terreno voltaria ao município. A gente vai entrar em contato com a assessoria do estado para tomar as devidas providências", afirmou.

"Com a construção da barragem de Belo Monte, Brasil Novo, há 40 km de Altamira, começa sentir o reflexo do aumento significativo da população, crescendo o valor dos aluguéis e a demanda por moradia", afirmou Claret Fernandes, missionário na Paróquia de Brasil Novo e militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

O MAB e a Comissão Justiça e Paz de Brasil Novo apoiam essa luta, pois a moradia é um direito fundamental.