Campo e cidade se unem na abertura do 1º Encontro Estadual do MAB em São Paulo

“Nós, atingidos e atingidas do campo e da cidade, estamos aqui para lutar pelo controle popular da nossa energia”, esclareceu Ubiratãn de Souza Dias, coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), no início do 1º Encontro Estadual do MAB no estado de São Paulo, nesta tarde de quarta-feira (13).

O evento ocorre na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, e reúne atingidos de diversas regiões do estado, apoiadores e organizações parceiras. “Todos nós somos excluídos, vemos historicamente negado nosso direito à voz, principalmente enquanto mulheres, e por isso nossa luta é para sermos felizes”, disse Neide Ramos, integrante da Marcha Mundial das Mulheres e moradora do bairro Jardim Julieta, onde milita contra os preços abusivos na conta de luz.

Para a coordenadora estadual do MAB, Louise Lobler, São Paulo é estratégico para as ações do movimento por sua importância política e econômica, além dos altos índices de aproveitamento hídrico. “Temos rios em todas as divisas do estado e isso fez com que o potencial hidrelétrico fosse muito explorado há bastante tempo, como no Pontal do Paranapanema, onde a população foi atingida há mais de 30 anos e não recebeu nada até hoje”, explica Louise.

As atividades do encontro vão até sexta-feira (15) e fazem parte das ações organizadas pelo MAB em todo o Brasil em função do dia 14 de março, Dia internacional de lutas contra as barragens, pelos rios, pelas águas e pela vida. Amanhã, a partir das 9 horas, haverá um seminário na Assembleia Legislativa de São Paulo que discutirá a redução da tarifa da energia.

 

“A energia é como os ovos de ouro do capitalismo”

Diversos apoiadores e organizações parceiras estiveram presentes na abertura do encontro. Para Maria Lúcia Mendonça, da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, a energia é um elemento fundamental para a manutenção do capitalismo e a causa de diversas violações dos direitos humanos. “O MAB é um dos únicos movimentos sociais que consegue conciliar a elaboração política e a luta concreta em relação à questão energética. A energia é como os ovos de ouro do capitalismo”.

No Vale do Ribeira, região sul de São Paulo e uma das últimas áreas de Mata Atlântica preservadas no país, esses interesses econômicos são explicitados no avanço do capital através do monocultivo de eucalipto, construção de barragens e mineração. “Há uma disputa territorial entre o capital e as comunidades tradicionais que vivem nesta região. Devemos continuar lutando e resistindo contra esses inimigos”, afirma Débora Aparecida da Silva, integrante do Movimento dos Ameaçados por Barragens (MOAB).

Também para José Carlos Alves Pereira, coordenador nacional do Serviço Pastoral dos Migrantes, a luta contra as barragens é um enfrentamento ao atual sistema “Todos os atingidos são migrantes e acabam sofrendo consequências por ver seu cotidiano alterado”, completou José Carlos.

Estavam presentes na abertura do 1º Encontro Estadual de São Paulo: Levante Popular da Juventude, Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF), Rede Social, Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Consulta Popular, Pastoral do Migrante, Grito dos Excluídos, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), e Movimento dos Ameaçados por Barragens (MOAB).