Camponeses de todo o Brasil ocupam São Paulo com a produção de alimentos saudáveis

A 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária foi inaugurada nesta quinta-feira (4), no Parque da Água Branca e vai até o próximo domingo (7).


Por Gustavo Marinho, da Página do MST
Foto: Mídia Ninja

O dia em São Paulo já amanheceu com as cores, cheiros e sabores de todos os cantos do Brasil trazidos pelos trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra que, a partir desta quinta-feira (4), dão início à 2ª edição da Feira Nacional da Reforma Agrária, no Parque da Água Branca, zona oeste da capital paulista.

A feira acontece até o próximo domingo (7) e deve comercializar cerca de 250 toneladas de alimentos produzidos nos acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária de todo o país. Ao todo, são mais de 800 camponeses e camponesas de 23 estados, representando a diversidade produzida no campo brasileiro.

Trabalhador do assentamento Índio Galdino, no planalto serrano de Santa Catarina, Cláudio Bogo não esconde a animação em poder comercializar seus produtos em São Paulo. “É gratificante ver que os que passam por aqui à procura de alimentos diferenciados. E nada é mais diferenciado do que produtos produzidos com amor, carinho e de forma inteligente”, destacou o produtor, enquanto mostrava o alho e o feijão com certificação orgânica vindos do sul do país. “Aqui o povo recebe alimento produzido pela família na roça, não tem empregados, nem patrões”, afirmou.

Ao todo, são quase 40 barracas espalhadas por todo o parque, que oferecem uma grande diversidade de produtos in natura e agroindustrializados. “Nós defendemos a alimentação saudável e a soberania alimentar. E é na feira, um dos nossos principais espaços de diálogo com a sociedade, que nós apresentamos a materialização do nosso projeto de Reforma Agrária que é popular, pois é construída pelos trabalhadores e trabalhadoras”, disse Antônia Ivaneide, a Neném, do Setor de Produção do MST.

De acordo com Neném, a Feira Nacional da Reforma Agrária traz para a cidade de São Paulo a cara do campo e a força da organização dos camponeses. “Chegaram até aqui, com os mais variados produtos do Brasil inteiro, quase 30 caminhões com os frutos dos que lutam pela terra e chegam ao centro de São Paulo mostrando que o mesmo MST que faz a luta, ocupa terra, faz marchas em todo o país, é também o que educa a sociedade, faz cultura e produz alimento saudável”.

Maria Auxiliadora, levou dois dias de estrada de Mato Grosso até São Paulo. Ela vive há 16 anos no assentamento Salete Strozak, no sul matogrossense e, enquanto chamava as pessoas para visitar a sua barraca, fazia a propaganda de alimentos “100% saudáveis”. “Aqui podemos dizer com tranquilidade que tudo aqui é livre de veneno. Aqui temos a produção do nosso dia-a-dia no assentamento e é muito bom poder vir para esta feira e apresentar produtos de qualidade para o povo”, comentou a trabalhadora.

Já Tânia Regina, veio de mais perto, do acampamento Che Guevara, em Minas Gerais. Para ela, o mais importante da feira é proporcionar a comercialização com preços acessíveis. “A gente quer é botar alimento saudável na rua, alimentar o povo de saúde e isso não será feito com exploração da natureza e dos homens e mulheres. Aqui a gente produz vida. Seja no abacaxi, na abóbora, no milho ou nos legumes. Aqui temos vida", afirmou.

Assentada no estado da Paraíba, Adilma Pereira também é uma das feirantes que se orgulha de sua produção. A camponesa veio do Brejo Paraibano, do assentamento Oziel Alves, que aportou uma boa diversidade de produtos de artesanato, limão, abóbora, mamão, maracujá e doce. “Foram dois dias na estrada e a recepção dos que passam por aqui é gratificante. Viemos da Paraíba e estamos bem animados em mostrar, através da nossa produção, a cara dos trabalhadores Sem Terra”.

Além da comercialização dos produtos in natura e oriundos das diversas cooperativas e agroindústrias da Reforma Agrária, a feira ainda conta com espaço de troca de sementes e mudas, uma extensa programação de atividades culturais, debates, além de um espaço gastronômico, a “Culinária da Terra”, que oferece pratos típicos de todas as regiões brasileiras.

*Editado por Leonardo Fernandes