Juventude é revolução!

Por Marina Calisto*

Há 100 anos, em uma Rússia abalada por crises, guerras, fome e frio, triunfava a maior experiência histórica dos trabalhadores na luta contra os patrões. A grande empreitada levada a cabo pelas mãos dos trabalhadores e trabalhadoras russos era a construção de uma sociedade onde paz, pão, terra e uma vida digna fossem direitos de todos.

Assim como em outras experiências, a Revolução Russa foi construída também pela participação de um sujeito histórico fundamental: a juventude. Na Nicarágua, Vietnã, China, Cuba e nos levantes libertários em todo mundo, esse tem sido um dos tijolos indispensáveis às obras revolucionárias.

No último período, inspirados nas tarefas do momento histórico, temos reafirmado com cada vez mais intencionalidade a importância da organização da juventude atingida. Realizamos nacionalmente mais de 50 turmas de formação política, que envolveram cerca de 1300 jovens.

O 8º Encontro Nacional do MAB, realizado em outubro, foi, sobretudo, construído por essas fileiras de jovens que em vários recantos do país e a partir de uma estratégia política constroem a nossa organização.

Da agitação e propaganda à organicidade, da mística à cultura, dos Direitos Humanos à Infraestrutura, a juventude foi peça chave do Encontro, refletindo um Movimento mais vivo, criativo e diverso.

Assim gritamos contra a redução da maioridade penal nas ruas do Rio de Janeiro, reafirmamos a luta contra qualquer tipo de preconceito e opressão, relembramos e homenageamos a Revolução Russa e também os irmãos cubanos e venezuelanos que hoje seguem na luta por liberdade.

Tal espírito e ânimo da juventude do MAB devem continuar materializando-se na disposição militante em construir a luta dos atingidos e atingidas, no fortalecimento da unidade, na defesa da soberania nacional e dos direitos, contra os golpistas e entreguistas.

Não obstante, deve armar-se nossa juventude da tarefa permanente de recuperar antigos sonhos, fazendo-os mais vivos do que nunca: os sonhos que embalaram jovens russos, latino-americanos e tantos outros em todo o mundo que dedicaram e dedicam suas forças a luta do povo.

Em um discurso memorável às Uniões da Juventude na Rússia, Lenin lembrou que era da juventude, ainda não infectada pela moral burguesa, a tarefa de edificar a sociedade comunista.

Hoje, ainda sem termos alcançado o Socialismo, lembrarmos de tal tarefa é reafirmar a urgência de uma nova ordem social.

Deve ser nosso compromisso fazer real essa grande obra, seguindo desde já o que também Che nos orientou: se aproximando do humano, do melhor do humano, fazendo de cada luta travada em cada barragem, em cada rua, em cada fábrica e cada país, a nossa luta, a nossa bandeira e o nosso sonho.

*Marina Calisto é atingida pela barragem do Castanhão, no Ceará, e participa do Coletivo de Juventude do MAB.