Organização e luta são tarefas fundamentais para a classe trabalhadora

A crise mundial do capital e golpe no Brasil refletem momento histórico difícil para trabalhadores, mas a luta e a organização do povo devem seguir cada vez mais fortes, na resistência contra a retirada de direitos e entrega do patrimônio. Essa foi a mensagem geral dos participantes da Análise de Conjuntura e Balanço e Desafios do MAB para o próximo período, realizada nessa quarta-feira, 4, durante o 8º Encontro Nacional do MAB.

O povo paga a conta da “crise”

Com a grave crise financeira que afeta todo o mundo desde 2008, a ofensiva aos direitos dos trabalhadores e sobre os recursos naturais dos povos são a solução encontrada pelos os grandes banqueiros e a burguesia para retomar suas taxas de lucro.

Historicamente, a exploração dos povos e terras tem sido usada para aumentar os lucros e garantir ao capital que supere tais momentos. O povo vê seus direitos retirados, o aumento da exploração de seu trabalho, suas águas e florestas usurpadas, seu patrimônio nacional entregue em todo o mundo, especialmente na América Latina. As transnacionais e poucas famílias mais ricas do planeta se agigantam cada vez mais, aumentando a concentração de riqueza nas mãos de poucos.

Foto: Joka Madruga

O golpe é capitalista

O golpe no Brasil foi uma expressão desse movimento e aprofunda a retirada de direitos. O governo ilegítimo de Michel Temer foi incumbido pelo capital financeiro internacional da tarefa de entregar os bens e patrimônios brasileiros e arrochar cada vez mais os direitos de seu povo.

“Em momentos de ruptura democrática como o que vivemos no Brasil vale tudo. Eles não vão deixar de retirar tudo o que conseguirem de nós. O capitalismo se organiza para buscar o controle dos nossos recursos naturais, nosso trabalho e nossas vidas”, alerta Beatriz Cerqueira, professora, trabalhadora e presidente da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais-CUT MG.

As tarefas da classe trabalhadora

Beatriz reafirma a importância das organizações populares construírem unidade e fazerem trabalho de base nesse momento. Para Beatriz, o MAB tem acertado em suas ações, mantendo a organização e luta nas bases e realizando com ousadia um Encontro Nacional em pleno golpe.

O professor universitário e atingido Carlos Vainer aponta que o momento exige de todo movimento que se proponha a fazer a luta dos povos o entendimento da realidade. “Nas leis da guerra é preciso conhecer o inimigo, conhecer a si mesmo e as condições que se travam a luta”, afirma.

Assim, a tarefa principal dos movimentos sociais e da esquerda no Brasil é cada vez mais urgente: organizar as bases, realizar lutas de resistência e construir a unidade. “O grande ensinamento que esses 26 anos do MAB nos trouxe é que com certeza não há vitórias sem organização e luta do povo. Na luta de classes, vence o mais forte, por isso temos muito pela frente”, reflete Gilberto Cervinski, militante do MAB.

Em avaliação da história do movimento, Cervinski reafirma a força dos atingidos, como trabalhadores, moradores de territórios estratégicos, vítimas da exploração e atingidos por barragens. “Estamos na classe trabalhadores e temos muitos elementos que nos fortalecem para fazermos cada vez mais a luta por uma nova sociedade”, afirma.

A construção de uma nova sociedade

A construção dessa nova sociedade está expressa no lema-síntese “Água e Energia com Soberania, Distribuição da Riqueza e Controle Popular”. Gilberto explica que quando o MAB defende a Amazônia, a Eletrobrás, a Petrobras e todo o patrimônio brasileiro, o Movimento está na luta pela Soberania. A Distribuição da Riqueza é fazer com que o dinheiro produzido pelas hidrelétricas esteja a serviço dos atingidos por barragens. E a luta para que esse patrimônio e riquezas estejam nas mãos dos trabalhadores é lutar pelo Controle Popular.

A análise do Movimento aponta que tais conquistas só serão de fato garantidas em uma nova sociedade alternativa ao capitalismo, com justiça, fraternidade e igualdade. O professor Vainer reforça que a para tal, a classe trabalhadora tem um grande desafio. “Essa mudança só e possível com uma forca social poderosa e o que se espera de um movimento é que seja parte de um processo permanente de construção dessa força social. A revolução bate na porta e às vezes a gente nem sabe, é necessário estar preparado”, diz.