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Prelazia e Movimentos do Xingu firmam compromisso em defesa da Amazônia

Entre os dias 26 a 28 de maio a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) realizou o Seminário “Laudato Si” (louvado seja) em Altamira (PA). A rede está realizando vários seminários para discutir a encíclica “Laudato Si”, elaborada pelo Papa Francisco e publicada em maio de 2015. Essa publicação pode ser considerada como grande marco no debate climático e ecológico do planeta.

Na região do Xingu, o Seminário foi realizado no centro de formação Bethânia e foi apoiada pela Prelazia do Xingu. Durante a audiência pública, no primeiro dia, o Bispo do Xingu, dom João Muniz, falou que o seminário não estava previsto para acontecer na região, mas que quando ele soube do teor da atividade, ficou impressionado e enviou uma carta solicitando a realização do evento para o Xingu.

Como encaminhamento concreto do seminário foi criado o comitê da REPAM na região do Xingu, que terá a presença da Igreja, sociedade civil organizada e instituições públicas. Também foi elaborada uma carta da Prelazia do Xingu para o próximo período. Na carta, entre os pontos, está firmado o compromisso de “Apoiar e lutar por uma nova política energética e pela Política Nacional dos Atingidos por Barragens [PNAB]”.

Defesa da Amazônia e luta contra a crise climática

Dom João Muniz falou um pouco dos grandes projetos. “Nós estamos saindo de uma batalha grande na nossa região, que foi a implantação da hidrelétrica de Belo Monte, e já estão chegando outros projetos grandes como Belo Sun (ouro), que vai mexer com a nossa região, então eu penso que um momento como esse é uma oportunidade para a sociedade de Altamira e a Prelazia refletirem, não se deixarem enganar e serem protagonistas de sua história”, disse.

O arcebispo emérito de São Paulo, Dom Cláudio Hummes, presidente da REPAM, também esteve presente no seminário. Ele falou da preocupação do Papa Francisco com a crise climática e crise ecológica e completou dizendo que pela primeira vez na história um papa afirmou que, pelo fato dos governos terem dificuldades de resolver esse assunto e tomar as decisões necessárias, a sociedade civil deve se organizar e pressionar de forma democrática e pacífica os mercados.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) também participou do Seminário e falou na audiência pública que ocorreu na primeira noite do evento. O militante do MAB Jackson Dias denunciou a forma de como está sendo construída a barragem de Belo Monte e o perigo que é o interesse da mineradora norte americana, Belo Sun, em se instalar na região, “Belo Monte deslocou compulsoriamente mais de 40 mil pessoas em um município com 100 mil pessoas, em Altamira as famílias estão abandonadas nos reassentamentos construídos pela Norte Energia e, além disso tudo, há a preocupação com a Belo Sun, que tem todo o aval do governo do estado do Pará para implantar um projeto de destruição na Volta Grande do Xingu, região onde não se tem nem o diagnóstico dos impactos de Belo Monte”.

Além da audiência pública, o seminário contou com debates sobre a encíclica “Laudato Sí”, grupos de trabalho sobre vários temas, análise de conjuntura, celebrações e vários espaços de comunhão. Ao todo participaram representantes de várias instituições, movimentos sociais, sindicatos e representantes da Igreja de 13 municípios: Gurupá, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Vitória do Xingu, Altamira, Anapu, Tucumã, São Felix do Xingu, Ourilândia do Norte, Placas, Uruará, Medicilândia e Brasil Novo.

A REPAM é uma rede criada em 2014 e abrange os países que formam a bacia amazônica: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.