Saiba mais sobre a barragem de Belo Monte

Interesse em construí-la: Os verdadeiros interessados na construção da hidrelétrica de Belo Monte são as empresas produtoras e consumidoras de energia. São transacionais que não tem nada a ver com a região e nem com o país. Querem somente o lucro e a energia para enriquecer. Para isso, se juntam com os interesses de alguns políticos, alguns comerciantes e algumas organizações da região para convencer e influenciar as pessoas. E ainda pegam dinheiro do BNDES – dinheiro nosso – para construir a barragem.

Lucro: O valor médio no leilão de energia feito para Belo Monte foi de 78 reais/MW. Ou seja, se para ser construída, a obra custará 30 bilhões de reais, em 30 anos, ela vai gerar quase 97 bilhões. Isso quer dizer que as empresas terão um lucro de mais de 65 bilhões de reais, apenas na geração de energia.

Baixa eficiência: Belo Monte será a 2ª maior hidrelétrica do Brasil, perdendo apenas Itaipu, e que vai gerar 11.233 Megawatt s de energia. Segundo estudiosos, ela só vai produzir essa quantidade durante 3 meses por ano, quando das cheias do rio Xingu. Por isso, eles vão querer construir as outras usinas do complexo, como as usinas Altamira, Pombal e São Félix.

Falsas promessas de emprego: De cada 100 operários contratados nas obras, 70 vêm de fora da região. Em Rondônia, dos 17 mil funcionários das barragens de Jirau e Santo Antônio, 12 mil são de fora. Prevê-se a chegada de mais de 100 mil pessoas para a região de Altamira em busca de emprego na barragem. Onde vão parar todas essas pessoas? Por que o governo não investe os 30 bilhões de reais previstos para a obra em hospitais, escolas, estradas, projetos de produção e empregos para a região? Isso seria de fato desenvolvimento. Sem contar que depois da obra pronta, não fica nada de emprego para a região.

Atingidos sem indenização: A cada 100 famílias atingidas por barragens no Brasil, 70 não receberam nenhum tipo de indenização, e quando recebem, é muito abaixo do que deveria ser pago. As empresas não querem gastar em questões sociais e ambientais, pois isso não dá lucro para elas, só prejuízo.

Energia é para as empresas, não para o povo: Dizem que a energia vai ser mais barata e servir para o povo. Em Tucuruí, depois de 25 anos de construção da barragem, ainda existem milhares de famílias sem energia elétrica a poucos quilômetros da barragem. A energia que vai ser gerada em Belo Monte não é para o povo, mas sim para poucas transnacionais que consomem essa energia a um preço bem pequeno, enquanto o povo paga a conta.

Descaso com o meio ambiente: Nos estudos até agora apresentados não explicaram como vai ficar a qualidade da água do Rio Xingu, a navegabilidade do rio, os peixes, a diminuição da água na Volta Grande do Xingu. E se não explicaram ainda, é por que estão omitindo essas informações. E o pior já sabemos: será um desastre ambiental e quem deveria responder a isso se omite e libera a licença ambiental. Outra questão séria é que os estudos feitos foram realizados por empresas que querem construir a obra, como a Camargo Correa, Eletronorte e Eletrobrás. É como colocar a raposa para cuidar do galinheiro.

Falta de participação popular: Dos 11 municípios atingidos pela barragem, em somente três municípios houve audiências. Muitas famílias não puderam participar por que estavam distantes dos locais onde foram realizadas essas consultas. E quem participou foi impedido de expressar sua posição. Não permitiram a realização de outras audiências para que todos pudessem se posicionar, e ainda a Advocacia Geral da União diz que vai processar os profissionais do Ministério Público que entrarem com ações contra Belo Monte. Ou seja, ameaçam os órgãos que defendem as pessoas em nome da obra pronta a qualquer preço, sem respeitar nada e ninguém.