Solidariedade do MAB aos militantes presos no Zimbábue

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) vem solidarizer-se  os 22 militantes da luta pelos direitos humanos de trabalhadores e atingidos pela mineração detidos no Zimbábue. Eles integravam uma comitiva que visitava uma região de mineração de diamantes em Mutare, a 270 quilômetros da capital do país, Harare, próximo à fronteira com Moçambique.

Com especial atenção nos solidarizamos com os companheiros brasileiros Jarbas Vieira e Maria Julia Gomes Andrade, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), e Frei Rodrigo Peret, da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Segundo relato do Consulado Brasileiro, os 24 ativistas foram acusados de invadir uma área de mineração de diamantes que pertence a uma empresa chinesa. O grupo de brasileiros contou com a assistência jurídica de um conjunto de advogados defensores de direitos humanos. Pagaram 100 dólares de multa e já foram liberados. O retorno ao Brasil está previsto para segunda-feira (13). Os outros 19 ativistas, todos de países africanos, ainda aguardam liberação.

Este incidente mostra a força das corporações internacionais que atuam globalmente para destruir a autonomia dos povos e combater todas as formas de solidariedade internacional e organização contra os desmandos que visam impor seu projeto de morte.

O Zimbábue, presidido desde 1980 por Robert Mugabe, 93, enfrenta uma dura crise política. Cerca de 70% de sua população está abaixo da linha pobreza apesar de ter uma das principais reservas de diamantes do mundo, cujas licenças de exploração foram ampliadas recentemente na região em que ocorreram as prisões. Para tanto, o governo já expulsou comunidades e pressiona para que os moradores que ficaram abandonem a região que tem grande valor cultural e religioso para estas populações. Neste contexto de conflitos, o presidente Mugabe ameaçou em 2016 estatizar as minas de diamantes acusando as empresas, espacialmente as chinesas, de roubar o país.

Várias denúncias de violações de direitos humanos já foram feitas contra empresas exploradoras de diamante o que inclui as minas na lista dos “diamantes de sangue”, proibidos em muitos países. Mas, a fiscalização é tão frágil que em 2011, por exemplo, uma empresa chinesa recebeu esta autorização, apesar de não atender a todos os requerimentos, segundo a própria imprensa.

Anjin, é uma sociedade de joint venture da companhia chinesa Anhui Foreign Economic Construction Company e o exército nacional do Zimbábue, possui pelo menos um milhão de quilates de diamantes. Um país em que as Forças Armadas são sócias de empreendimentos desta natureza necessita de muita solidariedade internacional de todas as organizações para que os direitos dos atingidos sejam atendidos.

Em 2011, a BBC denunciou a existência de um campo de tortura conhecido localmente como "Base de Diamantes". Testemunhas dizem que era composto por uma coleção de tendas militares com arame farpado, onde os prisioneiros eram mantidos. O campo situava-se perto de Marange, um dos mais extensos campos de diamantes do mundo e é gerido por um amigo pessoal do presidente, noticiou o canal britânico.

É neste contexto que ocorre a prisão dos 19 militantes africanos e dos três brasileiros. O MAB reafirma sua solidariedade com estes lutadores e suas organizações e denuncia que os capitais que atuam destruindo as soberanias nacionais, cooptando ou destruindo governos e promovendo a violência devem ser combatidos com coragem e organização, incluindo no Brasil cujo governo golpista entrega nossas riquezas minerais e energéticas para grandes corporações, sobretudo as chinesas.

Nos solidarizamos as companheiros/as do MAM presos, mas acima de tudo nossa solidariedade a todos que lutam contra os saqueios das riquezas do povo, em qualquer parte do mundo. Seguimos firmes e em luta.

São Paulo, 11 de novembro de 2017.

Movimento dos Atingidos por Barragens