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01.09.2010
Conflitos pela água
crescem 32%
Da CPT
A CPT
lança hoje os dados parciais dos Conflitos no Campo Brasil
relativos ao período de 1º de janeiro a 31 de julho de 2010.
Dados parciais sobre a água no período
de jan-jul 2009-2010
Dados parciais sobre despejos e
expulsões no período de jan-jul 2009-2010
Dados parciais sobre as manifestações
no período de jan-jul 2009-2010
Três
elementos chamam a atenção nestes dados:
-
O
primeiro é o aumento de Conflitos pela Água em 2010;
-
O
segundo é que mais da metade dos conflitos por terra,
54%, ocorreram no Nordeste, onde cresceu o número de
conflitos;
-
E o
terceiro, muito preocupante, é que contrariamente ao
restante do Brasil, no Sudeste e no Sul do país
cresceram e de forma expressiva, alguns índices de
conflitos e violência. Nestas duas regiões, “mais ricas
e desenvolvidas do país”, cresceu o número de
trabalhadores presos e o de agredidos. Além disso,
cresceu o número de ações de despejo. Outro dado provoca
estranheza. No Sudeste e no Sul, tanto em 2009, quanto
em 2010, todos os estados destas regiões, registraram
ocorrências de trabalho escravo. O Sudeste com o aumento
de ocorrências, porém com diminuição de trabalhadores
envolvidos e libertados, e o Sul com a diminuição das
ocorrências, mas com aumento significativo no número de
trabalhadores envolvidos e libertados. O que anos atrás
era atribuído ao atraso das regiões Norte e Nordeste,
agora se constata com persistência e crescimento nas
regiões onde o “progresso” já se instalou
definitivamente.
Conflitos
pela água
De
janeiro a julho de 2010 foram registrados pela CPT, 29
conflitos pela água envolvendo 25.255 famílias. Número 32%
maior do que igual período de 2009, quando se registraram 22
conflitos envolvendo 20.458 famílias.
Em todas
as regiões, menos no Norte, os conflitos pela água
cresceram: 50%, passando de 2 para 3 no Centro-Oeste; 18,5%,
indo de 7 para 9, no Nordeste; 175%, crescendo de 4 para 11
no Sudeste; e 50% de 2 para 3 no Sul. No Norte foram
registrados 7 conflitos em 2009, e 3 em 2010, mas cresceu em
395% o número de famílias envolvidas nestes conflitos.
Passaram de 2.250 famílias em 2009, para 11.150, em 2010.
Dos 29
conflitos pela água, 11, ou 38%, estão relacionados com a
construção de barragens e ocorreram em 14 estados da
Federação, em 2010, quando em 2009, atingiram 13 estados.
Sudeste e
Sul destacam-se pelos números de violência
Os dados
da CPT apresentam declínio nos números absolutos da
violência contra a pessoa, no período de janeiro a julho, de
2009 para 2010.
Mesmo com
essa queda, na região Nordeste houve aumento no número de
assassinatos, passando de 3, em 2009, para 4 em 2010. E nas
regiões Sudeste e Sul houve um aumento significativo no
número de trabalhadores presos e agredidos.
No Sudeste
o número de trabalhadores presos passou de 3, em 2009, para
11 em 2010, aumento de 276% e o número de agredidos passou
de 4 para 15, mais 275%. Na região Sul, o número de presos
passou de 12 em 2009, para 18, em 2010 (mais 50%) e o número
de agredidos de 2, em 2009, para 20, em 2010, (mais 900%).
O Nordeste
concentra 54% dos conflitos por terra
O Nordeste
registra 54% dos conflitos por terra de todo o Brasil.
Diferentemente do restante do país, o número de conflitos
por terra no Nordeste passou de 158, em 2009, para 194, em
2010. As ocorrências de conflitos por terra passaram de 95
para 126 e o de ocupações de 57, para 65. Já o número de
acampamentos reduziu de 6, para 3.
Nas demais
regiões do Brasil, os conflitos por terra, ocupações e
acampamentos sofreram redução, em 2010, em relação ao mesmo
período de 2009. São 365 ocorrências de conflitos em 2010,
envolvendo 33.413 famílias, contra 547 ocorrências em 2009,
envolvendo 47.739 famílias. Mas, em contrapartida, os dados
mostram que o número médio de famílias envolvidas em
conflitos por terra, em 2010, aumentou, chegando a 94,
enquanto que em 2009 a média era de 87 famílias envolvidas.
Famílias
expulsas e despejadas
Diminuiu
também o número de famílias expulsas e despejadas.
Em 2009,
registraram-se no período, 16 ocorrências de expulsão
atingindo 800 famílias. Em 2010, são 10 ocorrências,
envolvendo 653 famílias.
Em relação
ao número de famílias despejadas pelo poder judiciário,
foram 52 ocorrências, com despejo de 6.844 famílias, em
2009, e 44 ocorrências envolvendo 3.792 famílias, em 2010.
Apesar do
decréscimo no número total de ações de despejo, houve
crescimento destes números na região Centro-Oeste, mais 25%,
passando de 4 ocorrências, em 2009, para 5 em 2010; mais
33% no Sudeste, passando de 9 para 12 e mais 120% no Sul,
cujos números passaram de 5, em 2009, para 11, em 2010.
Manifestações
No período
cresceu o número de manifestações, mais 18%. Passaram de 323
envolvendo 104.262 pessoas, em 2009, para 385, em 2010, com
a participação de 165.530 pessoas.
Este
número cresceu no Nordeste, passou de 95 para 130; no Norte;
de 53 para 55, e no Sudeste, de 45 para 79. Na região Sul o
número manteve-se igual, 78, porém com um número muito maior
de participantes, 28.260 pessoas em 2010, 13.178, em 2009.
Só na região Centro-Oeste é que o número das manifestações
decresceu de 52 para 43.
Destas 385
manifestações, 62 foram relacionadas aos conflitos pela
água, 39 das quais relativas à construção de barragens.
Trabalho
Escravo
Os números
relativos ao trabalho escravo são menores no período de
janeiro a julho de 2010. Em 2009, foram registradas 134
ocorrências de trabalho escravo, envolvendo 4.241
trabalhadores, com a libertação de 2.819.
Em 2010,
foram registradas 107 ocorrências envolvendo 1.963
trabalhadores, dos quais 1.668 foram libertados.
O que mais
chama a atenção é o aumento de ocorrências no Centro-Oeste.
Passaram de 16 ocorrências, em 2009, com 259 trabalhadores
envolvidos e libertados, para 21 ocorrências em 2010, com a
libertação de 526 trabalhadores. Sobressai neste quadro o
estado de Goiás, que passou de 6 para 13 ocorrências,
passando de 259 para 490 o número de trabalhadores
libertados.
Na região
Sudeste, todos os estados apresentaram ocorrências de
trabalho escravo e o número de ocorrências subiu de 13 para
16, porém com um número significativamente menor de
trabalhadores libertados (1266, em 2009 – 268, em 2010).
Na região
Sul, também todos os estados apresentaram ocorrências de
trabalho escravo, mas com decréscimo no número de
ocorrências: 12 em 2009, 8, em 2010, ou seja, - 33%. Mas o
número de trabalhadores libertados quase triplicou: passou
de 112 para 319, 184% a mais. Destaque para o Rio Grande do
Sul e Santa Catarina. O Rio Grande do Sul passou de 1
ocorrência, em 2009, com quatro trabalhadores envolvidos e
libertados para 2 ocorrências, em 2010, com 29 trabalhadores
envolvidos e libertados. Santa Catarina passou de 3
ocorrências em 2009, para 5 em 2010, com um crescimento
expressivo no número de trabalhadores envolvidos e
libertados. Passou de 38, para 223. Mais 486%.
Alagoas e
Amazonas, que não figuravam entre os estados com trabalho
escravo em 2009, aparecem em 2010. Alagoas registrou uma
ocorrência, com 20 trabalhadores envolvidos e libertados.
Amazonas registrou duas ocorrências com 13 trabalhadores
envolvidos e libertados.
Uma
observação importante. Estes são dados parciais. De diversas
regiões do país, sobretudo do Norte, não nos chegaram as
informações completas, podendo, assim, os números sofrerem
alterações expressivas ao serem incorporados novos dados.
Maiores
informações:
Cristiane Passos (Assessoria de Comunicação da CPT): (62)
4008 6406 / 8111 2890
Antonio Canuto (Assessoria de Comunicação da CPT): (62) 4008
6412
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