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02.08.2010
Homenagem ao Sr. Carlos
Cervinski
Na década
de 80, favorecidos por um processo de muita luta do povo
brasileiro contra a ditadura militar e por um país mais
justo e igualitário, construiu-se uma forte resistência
contra as Barragens na Bacia do Rio Uruguai, no sul do
Brasil.
O Plano
era construir 25 barragens, que expulsariam 40 mil famílias,
200 mil pessoas – na maioria pequenos agricultores.
A primeira
barragem a ser construída era Machadinho. A empresa do
governo na época – ELETROSUL – conseguiu, com apoio de
alguns políticos e lideranças sindicais locais, comprar o
canteiro de obras da referida barragem em 1981.
Desta data
até 1986 foram muitas as lutas e protestos contra esta e
outras obras por toda a Bacia do Rio Uruguai.
No ano de
86 o governo institui comissões para estabelecer diretrizes
e critérios para resolver os problemas decorrentes das obras
de Itá e Machadinho e iniciou-se nesta região um intenso
debate sobre qual a posição a ser adotada pelos atingidos,
que culminou num acordo em 1987 entre os atingidos e a
ELETROSUL.
Neste
período foram muitas as reuniões e ações realizadas e
queremos destacar que uma das comunidades do interior do
Município de Paim Filho, chamada Capela Santo Stanislau –
Linha Pepino – na chamada Região de Carlos Gomes – então
distrito do Município de Viadutos, era um importante foco de
resistência e organização dos atingidos.
Nesta
comunidade de Linha Pepino que viveu o Seu Carlos Cervinski
até o dia 22 de julho de 2010.
Seu Carlos
era um homem que na Comunidade durante as reuniões sentava
na primeira fila de cadeiras, era sua família que acolhia os
militantes do MAB quando precisavam almoçar, jantar, dormir
na região para ajudar no trabalho organizativo de
resistência da população atingida.
Carlos era
o homem que incentivava toda a família a lutar contra a
Barragem de Machadinho, em defesa da terra e da vida.
Foi na
comunidade do Seu Carlos, com a participação de sua família
que a Barragem de Machadinho foi definitivamente derrotada
no seu plano inicial. A ação decisiva foi à expulsão dos
funcionários das empresas da região porque a Eletrosul não
cumpriu o acordo assinado em 1987.
A partir
de 1988 as placas de Barragem de Machadinho Nunca Mais se
espalharam pela região, e os marcos que sinalizavam até onde
a água atingiria, foram arrancados e queimados em 25 de
Julho de 1988. E nunca mais, depois daquela data,
funcionários das empresas que queriam fazer a barragem
apareceram por lá.
Seu Carlos
deixou sua família e sua terra no dia 22 de Julho de 2010,
vinte e dois anos depois da luta pelo cancelamento
definitivo da Barragem de Machadinho.
A barragem
foi construída em outro lugar e a empresa manteve o mesmo
nome original, porém todos sabemos que a Barragem de
Machadinho, no seu projeto inicial, foi derrotada.
A casa a
terra e a família do Seu Carlos continuam lá ao lado do Rio
Ligeiro (nome científico Rio Apuaê), que continua produzindo
muitos cascudos e que corre livre para o Rio Uruguai.
Do Seu
Carlos Cervinski fica nossa gratidão por sua luta, por seu
exemplo de seriedade, persistência e esperança.
Dos
Rios do Brasil, 25 de Julho de 2010. |