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02.12.2010
Via Campesina organiza
Caravanas Internacionais pela Vida,
Resistência e Justiça
Climática em direção a Cancun
A Via
Campesina está organizando Caravanas Internacionais pela
Vida, Resistência e Justiça Climática, até Cancun, desde o
dia 22 de novembro. Mais de mil mulheres e homens,
camponeses, indígenas, trabalhadores urbanos e rurais,
afetados pela destruição social e ambiental, estão marchando
em cinco caravanas, protestando contra a indolência dos
países dominantes e capitalistas do mundo, que se reúnem
para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças
Climáticas, de 29 de novembro a 10 de dezembro desse ano.
Três
caravanas co-organizadas pela Assembleia Nacional de
Afetados Ambientais e a Via Campesina Internacional, junto a
diversos movimentos sociais dos Estados Unidos, Canadá e
México, partiram de São Luís Potosí, Guadalajara e Acapulco,
juntando-se a outros movimentos rurais, urbanos e estudantis
na Cidade do México, para um protesto em massa pela justiça
ambiental e social. Outras duas caravanas sairam de Oaxaca e
Chiapas, todas convergindo em Cancún no dia 3 de dezembro,
para a abertura do Acampamento Camponês e Indígena
organizado pela Via Campesina.
As
caravanas poderão dar visibilidade às lutas locais contra as
injustiças sociais e ambientais, enquanto que a comunidade
global se reúne para as negociações climáticas em Cancún.
Denunciarão, também, a apatia generalizada com relação aos
escândalos socioambientais atuais, como a manipulação
empreendida pelo governo mexicano para implementar
mega-projetos dentro da ideia de “Mecanismos de
Desenvolvimento Limpo (MDL)”, os quais realmente devastam
comunidades e o meio ambiente.
Isto é o
caso, também, das grandes fazendas industriais de porcos,
como a Smithfield, de produção de agrocombustíveis para
aviões, das grandes represas e das novas extensões
cultivadas com transgênicos. Contra a avareza corporativa
causadoras das “mudanças climáticas”, produtores da Via
Campesina de todo o mundo e outros ativistas, se juntarão
nas caravanas rumo a Cancún. Segundo Henry Saragih,
coordenador geral da Via Campesina, “líderes camponeses até
da Ásia, também marcharão com os afetados e afetadas do
México e da América do Norte. Em meu país, a Indonésia, há
centenas e até milhares de lutas do povo, em nível local,
contra projetos comerciais que destroem o sustento dos
camponeses e camponesas e o meio ambiente”.
Josie
Riffaud, uma líder camponesa da Via Campesina da França,
também insistiu que “as soluções que se estão discutindo nas
negociações climáticas são muito espantosas. Nos estão
dizendo que alguns projetos ajudarão a resolver o atual caos
climático, mas é uma ilusão. Estamos vendo um aumento das
monoculturas, da engenharia genética a serviço do capital,
plantações de agrocombustíveis, roubo de terras, tudo isto
aumentará a devastação e exclusão”.
Em Cancún,
a Via Campesina e seus aliados organizarão um “Fórum
Alternativo Global pela Vida e pela Justiça Ambiental e
Social”, de 5 a 8 de dezembro, e uma mobilização em massa de
camponeses, indígenas e movimentos sociais no dia 7 de
dezembro. Ao mesmo tempo, em Cancún e por todo o mundo,
milhares de pessoas e organizações se mobilizarão em torno
da ideia de “Milhares até Cancún”, para denunciar as falsas
soluções para as mudanças climáticas e promover uma mudança
verdadeira do atual sistema. |