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03.09.2009
Grito dos Excluídos
Fonte Radioagência NP
Sete
de setembro é lembrado, na História do Brasil, como a data
que marca a independência do país. Segundo a história
oficial do país, foi nesta data, em 1822, que o Brasil
quebrou sua ligação com sua antiga metrópole, Portugal. Esta
data é símbolo para a nação, pois representaria a sua
soberania nacional. Mas será que o grito de independência de
Dom Pedro, às margens do rio Ipiranga, realmente significou
tal soberania ao país?
Questionando esta ideia, anualmente organizações populares
promovem o Grito dos Excluídos - uma grande mobilização
feita durante a semana da pátria que denuncia a falta de um
projeto popular no Brasil.
Em
entrevista à Radioagência NP, o integrante da coordenação
nacional do Grito dos Excluídos, Ari Alberti, conta a
história da manifestação popular e fala sobre a organização
desta luta.
Radioagência NP: O que é o Grito dos
Excluídos?
Ari
Alberti: O Grito dos Excluídos é um acontecimento que já
tem 15 anos. Ele surgiu a partir da Segunda Semana Social
Brasileira, que foi promovida pela CNBB [Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil], pastorais e movimentos, que
tratava do tema "Brasil: alternativas e protagonistas".
Acabado este processo se pensou em uma ideia do que
poderíamos construir coletivamente e aí surge o Grito dos
Excluídos, para ser realizado na data do sete de setembro,
fazendo uma reflexão a partir da história da independência
do Brasil. Ele acontece em todo o Brasil, de forma
descentralizada, sem priorizar a realização de atos nos
grandes centros. Podemos dizer que, passado 15 anos, que ele
tem dimensão nacional, pois está em todos os estados do país
durante a semana da pátria.
RNP: Quem são estes excluídos?
AA:
Se olharmos pelas definições, todos nós estamos incluídos
neste mundo, mas a maioria está incluída de uma forma
perversa. Nós chamamos de excluído, por exemplo, a pessoa
que não tem condição de acessar a saúde, educação, moradia,
terra, emprego. São pessoas sem condição de competir no
mercado, que é desigual, e que não tem condição de fazer
ouvir sua voz, seus gritos, que estão calados, emudecidos.
Nós lutamos por justiça e ao lutar por justiça, entendemos
que juntos estamos construindo uma proposta de um projeto de
país diferente, onde o povo possa ser incluído
politicamente, economicamente e socialmente, onde as pessoas
possam viver com dignidade.
RNP: Qual será o tema do 15º Grito dos
Excluídos?
AA:
A primeira afirmação sempre é a mesma: vida em primeiro
lugar. O complemento deste ano é: "a força da transformação
está na organização popular". Acreditamos abertamente que as
mudanças só poderão vir de baixo para cima. Então o nosso
desafio é ajudar a informar, formar e conscientizar o povo
para que possamos de fato fazer esse movimento, essa luta de
baixo para cima, para que as mudanças possam acontecer.
RNP: Qualquer pessoa pode participar da
construção do Grito dos Excluídos?
AA:
O Grito dos Excluídos é um acontecimento que não tem um dono
nem uma pauta específica de reivindicação. Cada local se
organiza a partir dos gritos maiores que tem mais a ver com
a realidade da população daquela região.
RNP: E se a pessoa tiver interesse, como ela
pode se inserir na organização desta manifestação popular?
AA:
O que as pessoas podem e devem fazer, se tiver interesse, é
procurar na sua cidade, em seu estado, nas associações, como
as pastorais, se por acaso está acontecendo a construção do
Grito dos Excluídos. Caso tenha dificuldades, nós secretaria
nacional podemos ajudar a partir dos endereços de onde são
organizados os Gritos. Todos serão bem-vindos e bem-vindas
nesta atividade. Nós temos que passar da atividade de ficar
apenas assistindo as coisas acontecerem. Nós temos que sair
da situação de platéia para sermos atores e atrizes. Temos
que protagonizar, que agir, para construir uma pátria livre
e independente.
O telefone
da coordenação nacional do Grito dos Excluídos é (11) 2272
0627.
Informações também podem ser obtidas através do endereço na
internet:
www.gritodosexcluidos.org
De São Paulo, da Radioagência
NP, Ana Maria Amorim. |