|
03.09.2009
População se
manifesta contra a UHE Garibaldi em audiência pública
Na
última terça-feira (01), em Abdom Batista (SC), cerca de
duas mil pessoas se manifestaram contra a construção da
barragem de Garibaldi, durante a primeira audiência Publica
da hidrelétrica, que tinha com o lema “UHE de Garibaldi:
mais energia para o País”.
Participaram jovens, agricultores, vereadores, prefeitos e
deputados. As intervenções foram contrárias à construção da
obra, com argumentações embasadas em barragens que já foram
construídas na região, onde a energia não serviu para
atender as necessidades do povo e sim para o lucro das
empresas.
O
representante da Fundação do Meio Ambiente (FATMA), disse
que a audiência não era um lugar deliberativo, criticando as
manifestações. Em resposta, um agricultor disse “Se a
audiência não tem poder deliberativo onde vai ser o espaço
pra dizermos que não queremos essa barragem?”.
A
UHE está localizada no rio Canoas entre os municípios de
Abdon Batista, Cerro Negro, Campo Belo do Sul, São José do
Cerrito e Vargem, todos situados na região serrana do estado
de Santa Catarina. Segundo a empresa responsável pelo estudo
ambiental e engenharia, a DESENVIX, a potência será de
175MW, a área do reservatório de 26, 79 km2, a área a ser
inundada será de 16, 51km2, e terá uma altura máxima de 43
metros. Até agora o cadastro socioeconômico cadastrou 539
propriedades.
O
MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) protocolou um
documento durante a audiência que conta com mais de 600
assinaturas. Veja abaixo:
“Nos Agricultores, meeiros,
arrendatários, jovens, mulheres, vereadores, prefeitos
ameaçados pela obra de Garibaldi gostaríamos de afirmar a
nossa posição: SOMOS CONTRA A CONSTRUÇÃO DA BARRAGEM DE
GARIBALDI, por entender que as barragens não são feitas para
atender as necessidades do povo e muito menos para
desenvolver a nossa região. Que o exemplo das barragens já
construídas na nossa região são de que, muita gente foi
expulsa, piorou a vida das pessoas, desestruturou
comunidades, entre muitos problemas. Que como esta obra vai
"definir" e mexer com a vida de muitas famílias achamos que
é necessário que seja feito um amplo debate com a população
local, sendo necessário para isto a realização de audiências
publicas em todos os municípios e comunidades.Como os mais
atingidos pela obra, nos exigimos que a decisão de construir
ou não a obra, considere prioritariamente a posição da
população atingida pela obra, organizada no Movimento dos
tingidos Por barragens. Por isso estamos construindo uma
proposta de desenvolvimento pra nossa região que será
apresentada no próximo período”. |