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03.10.2010
Mãos encontradas
Começa em México Encontro
de Atingidos e Atingidas por Barragens
Dialogamos
com María Alcaraz Martínez, habitante de Temaca, sobre os
cinco anos de luta de sua comunidade contra a barragem El
Zapotillo e o Encontro Internacional “Rios para a Vida 3”.
“Soubemos
que pensava-se construir uma barragem em El Zapotillo e que
nosso povo, Temaca, ficaria sob água... o Governo jamais
veio nos informar”.
Assim
começou, há cinco anos atrás, em Temacapulin, estado
mexicano de Jalisco, o longo périplo dos 400 moradores que
acabou num encontro internacional que triplicará sua
população e colocará literalmente “os olhos do mundo” sobre
esta comunidade situada a três horas da metrópole de
Guadalajara.
Uma
notícia televisiva, um comentário oficial, que equivalia ao
desaparecimento deste povoado, a inundação de terras que são
habitadas desde o século VI. Saibam e preparem-se para ser
desalojados.
É o que
conta a um dia de começar o encontro, María Alcaraz
Martínez, uma das líderes locais na resistência, ao tempo
que mostra orgulhosa seu limoeiro e sua planta de feijão.
A
população de Temaca, com o acompanhamento de várias redes de
luta contra as mega-barragens, como o Mapder (Movimento de
Atingidos por Barragens) não tem desistido de sua demanda
contra a barragem de el Zapotillo.
No
caminho, uma população reduzida e introvertida aprendeu a se
organizar e a se relacionar com outras populações dentro e
fora do México, ao reconhecer-se como parte de um problema
comum em muitos pontos do planeta.
“Antes
éramos como 'rancheros’”, explica María, referindo-se a que
tratava-se de uma comunidade tímida. “Mas hoje nos
comunicamos com as pessoas que vem e isso para mim, tem sido
um progresso, porque estavamos isolados e hoje já não
estamos”, reflete a moradora de Temaca, que tem claro que
“onde é feita uma barragem nunca há progresso, pelo
contrário”.
Em María e
outros habitantes nascidos e criados em Temaca está desta
resistência. Mesmo assim, “muitos se deprimiram, sobretudo
os mais velhinhos... embora os jovens estão muito decididos
nesta luta”, conta María.
Todos os
delegados ao 3º Encontro de Atingid@s pelas Barragens e seus
Aliad@s serão alojados em casas de famílias que têm
oferecido seus quartos disponíveis para as quase mil pessoas
que chegarão para as sessões e as visitas pelas zonas rurais
que seriam inundadas, caso prospere o projeto Zapotillo.
Da escola
à catedral local há cartazes com mensagens de boas-vindas e
resistência transmitindo uma férrea vontade de não abandonar
seu solo e seu patrimônio em favor de um projeto que não os
compromete em absoluto. É que nem a energia elétrica gerada
pela barragem nem a disponibilidade de água irão em
benefício dos moradores do estado de Jalisco, afirma María.
“Não
querem a água para aqui, a água vai ir diretamente a
Guanajuato, aos empresários”.
“Não
queremos seu novo povo, definitivamente. Se nos vão inundar
que nos inundem, mas aqui permaneceremos”, diz María.
Fonte: Rádio Mundo Real |