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03.11.2009
Atingidos
pelas barragens do Rio Madeira cobram direito ao
reassentamento
Depois
de uma rodada de assembléias nas comunidades atingidas pela
barragem de Samuel, em Rondônia, para discutir a pauta de
reivindicações com a Eletronorte, agora as assembléias
acontecem nas comunidades atingidas pelas barragens do rio
Madeira.
No dia 31 de outubro, cerca de
300 famílias discutiram sobre os direitos dos atingidos na
comunidade Joana D’Arc. Eles reivindicam o direito ao
reassentamento e pleiteiam um plano de desenvolvimento
local. As famílias reunidas ainda resistem à retirada
forçada pela empresa Odebrecht, dona da barragem, que vem
fornecendo apenas a carta de crédito (um valor em dinheiro)
ou agrovilas urbanas, sem local de produção.
Essa é uma das denúncias que o
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) está fazendo em
Rondônia. Segundo as lideranças, os ribeirinhos praticamente
estão tendo que pagar para serem desalojados, pois com o
valor da indenização, eles são obrigados a pagar o custo da
moradia (cerca de R$ 65 mil reais), o que acaba saindo a um
custo maior do valor recebido.
“Por isso o MAB é contra a
carta de crédito e às agrovilas urbanas, o dinheiro acaba
logo com a compra da casa e na agrovila eles não terão
condições de produção, como eram acostumados. Nosso povo
deve ser reassentados em áreas que dêem condições mínimas de
reestruturação das famílias, como possibilidade de
continuarem produzindo na terra. O que vem acontecendo com
os que já saíram das comunidade é que eles não encontram
trabalho e já engrossam as periferias de Porto Velho”, disse
Tânia Leite, do MAB.
Ao todo,
as assembléias nas comunidades de Joana D’arc (atingida pela
barragem de Samuel), Triunfo, Candeias do Jamari e Itapuã do
Oeste (atingidas pela barragem de Samuel) reuniram mais de
700 famílias. “Isso é muito significativo para a animação e
luta do povo, que resiste à imposição das empresas.
Estaremos preparando novas assembléias nas comunidades, só
assim garantiremos o mínimo de condições para continuarmos
sobrevivendo”, disse Tânia. |