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03.12.2009
Ibama e Funai não
comparecem a audiência sobre Belo Monte
Da Radioagência NP
Lideranças
ribeirinhas, indígenas, sem-terras e de movimentos sociais
se dizem frustradas depois que o Ibama, Eletrobrás,
Eletronorte e Funai não compareceram às audiências públicas
programadas para terça-feira (1/12) e quarta-feira (2/12),
em Brasília. O objetivo era esclarecer para a população os
impactos socioambientais que serão gerados com a construção
da hidrelétrica de Belo Monte.
Segundo o
presidente do Conselho Indígena de Altamira (COIA), Luis
Xipaya, o não comparecimento dos órgãos mostrou ainda mais a
indiferença do governo com as populações atingidas pela
construção. Até mesmo a Funai declarou que era favorável a
construção da Usina, sem ao menos terem consultados os
indígenas.
“Mais uma
vez, eles querem fazer o projeto Belo Monte de uma forma
truculenta, arbitrária, sem consultar e dar esclarecimentos
para a população indígena. O projeto, na verdade, é falho.
As populações indígenas não têm real clareza da situação e
dos impactos de Belo Monte.”
A Usina de
Belo Monte na Bacia do Rio Xingu é a maior obra do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo Lula.
Populações indígenas de 15 etnias afirmaram em uma carta
entregue ao governo que entrarão em confronto, caso se
inicie as obras na região.
“Nós não
vamos mais discutir Belo Monte. Nós vamos recuar para nossas
aldeias e esperar a ação do governo. Governo, não construa
Belo Monte, se não realmente haverá confronto com as
populações indígenas. Quem entrar naquela região pode ter a
certeza que vai enfrentar os povos indígenas.”
Segundo a
liderança indígena, índios de outras regiões do país já
manifestaram apoio, caso seja necessário um confronto.
De São Paulo, da Radioagência
NP, Aline Scarso. |