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04.12.2009
Engevix
descumpre acordo na PCH Moinho
Empresa está
sendo acusada de não cumprir acordo feito com o MAB,
Promotoria Pública Estadual de Vacaria (RS) e com
representante da Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia
Legislativa do Rio Grande do Sul.
A
PCH Moinho que está sendo construída pela empresa Engevix,
no rio Bernardo José, norte do Rio Grande do Sul, ameaça
desalojar em torno de 57 famílias que estão acampadas no
canteiro de obras da barragem há exatamente um ano. As
famílias reivindicam indenizações justas, tendo com
principal bandeira o reassentamento em outra área para
poderem permanecer trabalhando na produção de alimentos.
No dia 21 de setembro de 2009,
em uma das reuniões de negociação com representantes da
empresa, lideranças dos atingidos, promotoria pública e o
presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia
Legislativa ficou acordado que a empresa cumpriria as
determinações feitas pela promotoria. Passados dois meses e
meio não houve nenhum avanço. Segundo o presidente da
Comissão, Deputado Dionilson Marcon, o caso da PCH Moinho é
conhecido e foi visitado várias vezes, podendo ser observada
a destruição do meio ambiente. “Tem um túnel de três mil
metros que vai ser escavado e as duas grandes obras, tanto
no início quando no final desse túnel, vão causar um enorme
estrago ambiental”, disse Marcon.
A outra questão levantada pelo
presidente da Comissão dos Direitos Humanos são as
indenizações. “É necessário o reassentamento das famílias
que estão hoje naquela área. Mesmo sendo uma pequena
barragem, muitas famílias serão prejudicadas e a empresa
está mais preocupada com o lucro do que com a questão
social. Vemos que antes de reassentar as famílias, em
primeiro lugar a Engevix está querendo criminalizar as
lideranças locais”, afirmou.
Pela terceira vez, a Comissão
de Direitos Humanos tentou fazer um acordo para que as
famílias tenham o mínimo dos seus direitos garantidos, mas
as negociações não avançaram. “Junto com o Ministério
Publico, nós vamos chamar as famílias e a empresa e queremos
que o direito dos agricultores seja respeitado. Também tenho
certeza que nessa questão o Ministério Público vai exigir o
cumprimento do direito das famílias que estão em Pinha da
Serra. Nós vamos procurar novamente o Ministério Público de
Vacaria, que é a comarca que abrange Pinhal da Serra, e
queremos propor que eles chamem uma reunião com as partes
envolvidas”, finaliza Marcon.
Para
coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens na
região, a atitude da empresa tem sido a mesma durante todo
este período de negociação: “Além de desrespeitar a
Promotoria e a Comissão dos Direitos Humanos, brincar com a
vida do povo atingido pela obra é o que a Engevix melhor tem
feito,” disse um dos coordenadores. A empresa Engevix é a
mesma empresa que fraudou o Estudo de Impacto Ambiental da
barragem de Barra Grande, escondendo a existência de seis
mil hectares de mata primária, principalmente araucárias. |