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04.08.2010
Atingidos por barragens aumentam
produção de alimentos saudáveis
Recentemente,
os agricultores atingidos pelas barragens da bacia do Rio
Uruguai, organizados no MAB, começaram a implantar
experiências de um novo método de produção de alimentos na
região, que estão chamando de Produção Camponesa de
Alimentos Saudáveis (PCAS). As três primeiras foram
implantadas, através de mutirões, nos reassentamentos de
Laranjeira, em Capão Alto (SC); São Sebastião, em Esmeralda
(RS); e Primeira Conquista, em Barracão (RS) e foram
inauguradas no final de julho.
Esta
tecnologia social tem como base o programa “Produção
Agroecológica Integrada e Sustentável – PAIS”. A experiência
consiste em construir um galinheiro que é rodeado por uma
horta de canteiros circulares, de uma estufa e de um pomar
com cerca de 150 mudas frutíferas, além de um sistema de
irrigação.
O objetivo
dessa experiência é, além de fortalecer a organização dos
camponeses, produzir alimentos saudáveis para a subsistência
das famílias e a geração de renda através da venda do
excedente da produção. A aplicação desta técnica reduz a
dependência de insumos vindos de fora da propriedade,
diversifica a produção, utiliza com eficiência e
racionalização os recursos hídricos, alcança a
sustentabilidade em pequenas propriedades, e produz em
harmonia com os recursos naturais.
“Estamos
contentes, pois já tivemos o reassentamento que foi uma
conquista da nossa luta, e agora estamos tendo a
oportunidade de melhorar a nossa alimentação e ter uma
renda pra continuar vivendo na terra’’, relatou Marines de
Souza, uma das beneficiadas pelo projeto.
Segundo a
coordenação do MAB, esta metodologia tem como característica
a sua alta capacidade de ser aplicada por um custo muito
baixo. A iniciativa faz parte do Projeto Popular de
Desenvolvimento, um plano de recuperação, preservação e
desenvolvimento das comunidades, municípios e região
atingida pelas hidrelétricas na bacia do rio Uruguai e está
tendo parceria com a entidade norte americana Heifer
Internacional.
“Nossa
prioridade é produzir alimentos saudáveis, sem o uso de
venenos e com adubação orgânica através das famílias
atingidas por barragens que estão nos reassentamentos ou nas
comunidades ribeirinhas. Entendemos que quem vive na
agricultura tem uma tarefa muito importante, que é produzir
alimento e cuidar da natureza. E nós como agricultores e
agricultoras queremos fazer isso”, finalizou Marines. |