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04.12.2009
Liderança dos atingidos
pela Hidrelétrica de Jirau é assassinada em Rondônia
No dia 15
de novembro, Osmar dos Santos Lima, 54 anos, foi assassinado
brutalmente em Jaci-Paraná, distrito de Porto Velho (RO).
Osmar era uma liderança da região onde está sendo construída
a Usina Hidrelétrica de Jirau e atuava na organização dos
atingidos pela barragem. Este é mais um fato que representa
o aumento do número de casos de violência onde são
construídas as barragens.
Além de
assassinatos, na região onde estão sendo construídas as
barragens de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, houve o
aumento dos casos de prostituição, alcoolismo e pontos de
drogas. “Todos esses problemas todos vêm junto as barragens
e quem mais sofre é a população local que perdeu o sossego”,
disse uma liderança local.
O que fica
depois da obra é uma enorme dívida social e ambiental aos
atingidos. As famílias desalojadas pela UHE Samuel,
construída há 20 anos próxima a Porto Velho, ainda esperam
ser indenizadas e estão lutando por isso. “O próprio
presidente Lula reconheceu a dívida social que tem com os
atingidos, queremos receber o que é nosso por direito”,
disse uma moradora que se assusta com o que está acontecendo
agora com os ribeirinhos do Madeira, afirmando que a
política das empresas privadas no tratamento às populações é
autoritária e violenta.
A
Suez-Tractebel é a principal empresa acionista do consórcio
que está construindo a usina de Jirau. Para o Movimento dos
Atingidos por Barragens, entre todas as empresas privadas
construtoras de barragens no Brasil, esta é a mais violenta
e repressiva. “Não é de se estranhar que os conflitos
aumentem onde esta empresa se instala”, disse uma das
lideranças do Movimento, que pede uma séria investigação
sobre a morte de Osmar.
O
Movimento denuncia o processo de criminalização cada vez
maior que os atingidos por barragens vêm sofrendo, exige o
vim da violência e pede a punição imediata dos culpados,
temendo que novos casos possam vir a acontecer. |