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05.02.2010
Audiência do MAB com Lula
revela divergências na política energética
e avança no tratamento
das questões sociais
Na
tarde de ontem (04/02), representantes do Movimento dos
Atingidos por Barragens (MAB) foram recebidos pelo
Presidente Lula, em Brasília. Na audiência o MAB entregou
uma carta ao presidente, na qual reforçou sua posição
contrária à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e
criticou a atual posição do governo quanto ao setor
elétrico, que entrega para empresas privadas o controle da
geração, transmissão e distribuição de energia.
O MAB
solicitou ainda que seja feita uma séria revisão nos altos
preços das tarifas de energia elétrica e que sejam criados
mecanismos para que as empresas que se apropriaram
indevidamente de mais de 10 bilhões de reais nos últimos 10
anos devolvam estes recursos na forma de investimentos
coletivos necessários aos municípios. Além disso, os
representantes também citaram o aumento da violência e da
criminalização contra as lideranças do MAB e demais
movimentos sociais.
O
presidente manifestou que nem todos os pontos apresentados
são convergentes entre o MAB e o governo, no entanto
reconheceu novamente a dívida do Estado brasileiro com os
atingidos por barragens e afirmou a necessidade das pessoas
terem as condições necessárias para viver com dignidade.
Para Lula é preciso estabelecer normas para o reconhecimento
das famílias como atingidas por barragens. Ele considerou a
audiência de ontem como o primeiro encontro com o MAB e que
novas reuniões deverão acontecer depois de reunir os
ministérios para formalizar as solicitações do Movimento.
Na reunião
o governo entregou respostas à algumas pautas de
reivindicação do MAB, dentre elas a que garante que os
atingidos terão prioridade em uma série de programas
governamentais já existentes.
Na opinião
dos coordenadores do MAB, a audiências explicitou que
existem divergências entre o Movimento e o governo quando se
trata da construção de barragens e outros pontos da política
energética nacional. Por outro lado, reconhecem a
sensibilidade que o governo está tendo ao acatar inúmeras
sugestões para o tratamento da área social. “Mesmo com
sinalizações positivas nas questões sociais, o MAB entende
que a principal tarefa do Movimento é fortalecer a
organização e fazer a luta para garantir todos os direitos
do povo atingido”, afirmou Josivaldo de Oliveira, da
coordenação nacional do MAB.
Na
oportunidade da audiência o MAB, em nome da Via Campesina,
também entregou ao presidente uma carta que solicita
inúmeras providencias para auxiliar o povo do Haiti que foi
assolado por um forte terremoto há poucos dias. Lula
garantiu que vai encaminhar os pedidos feitos e irá
pessoalmente ao Haiti nos próximos dias para acompanhar as
políticas que estão sendo desenvolvidas naquele país.
Setor de
Comunicação - MAB
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