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08.03.2010
Dia Internacional da
Mulher é marcado por mobilização nacional
Atingidas por barragens
participam da marcha que reunirá representantes de todos os
estados do país
Entre
os dias 8 e 18 de março, a Marcha Mundial das Mulheres
organizará sua 3ª Ação Internacional no Brasil. Com o lema
“Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, elas
irão fazer uma marcha de Campinas a São Paulo, realizando
debates nas escolas, igrejas e clubes sobre temas como a
autonomia econômica das mulheres, os bens comuns e serviços
públicos (contra a privatização da natureza e dos serviços
públicos) e a violência contra as mulheres.
As
mulheres atingidas por barragens também participarão levando
a experiência de vida e de luta no processo de construção
das usinas. Por residirem em áreas rurais, em sua maioria,
elas mantêm uma relação próxima com a terra. Usam os
recursos naturais principalmente para a alimentação, mas
também à outros usos, como chás, energia da lenha para
cozinhar e aquecer, etc. Nesse sentido, as mulheres são as
principais vítimas da degradação ambiental ocasionada pelas
barragens, que implica em grandes perdas para quem depende
da natureza para sobreviverem.
Vale
ressaltar que, no que tange ao trabalho fora de casa, muitas
atingidas por barragens perdem sua identidade e há uma
precarização das condições de trabalho com a chegada dessas
grandes obras. “Mulheres que antes eram pescadoras,
extrativistas, de comunidades tradicionais e indígenas, por
exemplo, são obrigadas a saírem de seus espaços e fazer
serviços domésticos nas casas dos trabalhadores das obras,
ou nas empresas que chegam na região, sem nenhum direito
garantido. Assim, elas e as futuras gerações perdem suas
raízes, pois são obrigadas a vender sua força de trabalho
para sobreviver”, disse uma coordenadora do MAB.
Outra
constatação é a instalação de negócios da prostituição perto
do canteiro de obras da barragem ou junto ao alojamento dos
trabalhadores. “Essa estratégia das empresas tem o objetivo
de “entreter” os operários, que estão longe de suas famílias
há bastante tempo. Em alguns casos, há a mercantilização do
corpo das mulheres com a venda de adolescentes para a
prostituição, podendo até influenciar e facilitar o tráfico
internacional de mulheres”, denuncia a militante.
Estes e
outros temas que refletem as condições de vida das mulheres
atingidas por barragens serão levados para a Marcha Mundial
de Mulheres, além de todo o acúmulo que o MAB possui no
debate sobre a soberania energética e a campanha "O preço da
luz é um roubo". |