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05.05.2010
No Paraná, atingidos por
barragens cobram direitos
e criticam privatização
do Rio Chopim
O endividamento das famílias de agricultores
atingidas pelas barragens
também preocupa as lideranças da região.
O
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) do Paraná vai
realizar um seminário na próxima quinta-feira (dia 6), na
cidade de Pato Branco (PR), para tratar dos direitos dos
ribeirinhos, da legislação ambiental e do endividamento das
famílias de agricultores atingidas pelas barragens. O MAB
critica ainda a privatização do rio Chopim e espera que em
torno de 300 pessoas participem do seminário.
Endividamento
Centenas
de famílias na região Sudoeste vêm sofrendo sistematicamente
o impacto das mudanças climáticas e das fortes estiagens,
mais especificamente na última década. O acúmulo de dívidas,
somado a um modelo de produção agrícola que favorece o
agronegócio e amplia a descapitalização dos produtores
familiares, na opinião dos coordenadores do MAB,
contribuíram para que a situação dos atingidos só se
agravasse. “A descapitalização, ou seja, a perda gradativa
de condições de sobrevivência e de competitividade na
agricultura é real. Muitas famílias vendem a criação,
maquinário, implementos para saldarem suas dívidas”, informa
Robson Fórmica, da coordenação do MAB.
O crédito
facilitado também é apontado por Formica como uma das razões
do endividamento. “É um dinheiro que só circula, ou seja,
passa pelas mãos dos agricultores. Não é diferente do
trabalhador da cidade que recebe o salário e sai pagando as
contas. Em poucos dias, não tem mais nada. E o agravante é
que o agricultor ainda corre o risco de perder a lavoura,
seu bem de capital, para as intempéries do clima”, disse.
Ele
lembra, ainda, que a saída da juventude das propriedades
rurais em busca de outras oportunidades de trabalho está
contribuindo para diminuir a renda na agricultura familiar.
“Quem está melhor de vida são aquelas famílias que têm
idosos, uma vez que a aposentadoria amplia o rendimento
delas”, argumenta.
As usinas
do rio Chopim
Somente ao
longo do rio Chopim, que percorre aproximadamente 12
municípios do Sudoeste paranaense, estão previstos 12
projetos de implantação de usinas hidrelétricas, o que o MAB
critica como sendo um processo de privatização dos recursos
naturais. Três deles encontram-se mais adiantados e,
recentemente, foram autorizadas as licenças-prévias das
primeiras obras. O movimento alerta para a dissociação das
análises ambiental e social. “Separar os impactos ambientais
da problemática social causada pelas barragens é o mesmo que
dizer que é possível existir um ambiente sem gente”, aponta
Formica. O MAB não concorda também com a visão de que todos
as questões ambientais sejam passíveis de mitigação e que os
problemas que surgem nessa podem ser driblados com programas
específicos. “O que vale para o impacto ambiental não pode
ser aplicado aos problemas sociais porque você lida com
vidas de pessoas”, conclui.
Confira a
programação do seminário:
Seminario
Regional em Defesa do Chopim e dos Atingidos Por Barragens
Dia 6 de
maio - quinta-feira
Local: Centro de Eventos - Pato Branco
Início: 9h
Pauta
Mesa 1 (9h):
Mesa 2
(10h 45min):
-
Conjuntura da questão ambiental;
-
O
código florestal e a disputa de projetos;
-
Propostas;
-
Situação atual da agricultura familiar/camponesa;
-
Questão do endividamento dos agricultores/as
familiares/camponeses;
-
Discussão da pauta;
-
Encaminhamentos
Ato de
Encerramento (13h 30min) |