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06.08.2009
Atingidos por barragens
marcham por direitos em Estreito/MA
Acampamento está organizado
há 17 dias em frente às obras da usina
Cerca
de 1500 pessoas, acampadas em frente à Usina Hidrelétrica de
Estreito desde o dia 21 de julho, preparam uma marcha para
amanhã (07 de agosto) na cidade de Estreito/MA. Elas exigem
que as empresas Camargo Corrêa, Alcoa, Vale e a
Suez-Tractebel, donas da barragem, reconheçam os pescadores,
meeiros e indígenas como atingidos por barragens e
solucionem os problemas causados pela obra. “O próprio
presidente Lula reconheceu a dívida que o Estado brasileiro
tem com os atingidos. Nosso acampamento e a marcha são para
que esse reconhecimento se transforme em ações concretas
para a melhoria das condições de vida e de trabalho do nosso
povo”, afirmam as lideranças do MAB da região.
Segundo
levantamento do Movimento, a usina vai atingir cerca de 5
mil famílias, em 12 municípios. No entanto, para as empresas
são apenas 2 mil pessoas atingidas, já que o consórcio
pretende indenizar apenas aquelas que são proprietárias de
terras, não reconhecendo as que têm profissões ligadas ao
rio como os pescadores, barraqueiros e quebradeiras de côco,
entre outros. Além disso, os indígenas que estão à margem do
rio não foram incluídos nos estudos de impacto e sequer são
mencionados como atingidos pela obra.
Entre
outros pontos, os atingidos reivindicam a definição dos
parques aquícolas para criação de peixe em tanques redes, a
construção de um atracadouro com infra-estrutura para
processamento e armazenamento dos peixes, definição coletiva
dos critérios gerais para as indenizações, a abertura dos
laudos de avaliação e fornecimento dos mesmos às famílias,
esclarecendo os critérios utilizados e atualização dos
laudos realizados, pois os mesmos foram realizados em 2004;
“A
barragem de Estreito é o exemplo do que não pode acontecer
com um rio, com as pessoas e com o meio ambiente. Essas
empresas simbolizam a ganância dos capitalistas sobre os
nossos recursos naturais, além disso elas negam nossos
direitos, e com recursos do BNDES, estão transformando o
rio Tocantins num imenso lago”, disse um dos coordenadores
do acampamento. Estreito é a sétima usina hidrelétrica no
Rio Tocantins, para o qual estão previstas pelo menos outras
três.
Em 2007,
artistas do Movimento Humanos Direitos gravaram um vídeo
posicionando-se contra a barragem e pelo respeito à
população atingida (http://www.youtube.com/watch?gl=BR&v=OKEQz6JJs04).
A atriz Bete Mendez falou da gravidade que o mundo sofre
hoje por obras de grande porte como a barragem de Estreito.
“Essas obras não respeitam o chamado impacto ambiental, que
pressupõe as pessoas que vivem na área, isso é um crime
ambiental”, disse ela.
Violação
aos direitos humanos em Estreito
A Suez
Tractebel, acionista majoritária do consórcio, é tida como
uma das piores empresas do setor elétrico no tratamento das
populações atingidas. Dona da barragem de Cana Brava, em
Goiás, a empresa também negou o direito de milhares de
família e na época não houve um processo de informação com
as populações locais. Todos os levantamentos realizados pela
Tractebel foram feitos sem o conhecimento e participação da
população atingida.
Em
Estreito, as obras da usina iniciaram em abril de 2007.
Neste mesmo mês a justiça federal paralisou as obras por
considerar “insatisfatórios” o Estudo de Impacto Ambiental e
o Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente que devem
subsidiar o licenciamento, feito pelo Ibama. E avalia a
ausência de estudos sobre as conseqüências da obra como
“gravíssimas”. A decisão foi cassada três meses depois.
Hoje a
empresa continua negando-se a reconhecer os indígenas como
atingidos pela obra. A empresa também é responsável pela
violação do direito à informação da população, que não sabe
se serão desalojados ou não, quais são seus direitos e em
quanto tempo terão ou não, que abandonar suas terras.
Contato: (11) 3392 2660 |