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05.08.2009
Mais um episódio de violência no campo
Na semana
passada, a luta pela terra teve mais um episódio de
violência. Odilon Bernardo da Silva, integrante do MAB
(Movimento dos Atingidos por Barragens) foi assassinado com
tiros de espingarda, em frente a sua casa, no município de
Aroeiras (PB). Ainda não se tem informações sobre quem teria
cometido o crime.
As
lideranças do MAB sofrem constantes ameaças de morte na
região. Recentemente, os atingidos estiveram acampados em
uma fazenda, reivindicando a revisão das indenizações pagas
e condições que lhes garantam o modo de vida que possuíam
antes da barragem. Após dois meses, eles sofreram ordem de
despejo, mas montaram um novo acampamento em seguida, e
então começaram a receber ameaças de morte.
Outra
região cujos militantes vêm sofrendo ameaças de morte é a de
Tucuruí. Em nota, o MAB alertou a sociedade para o fato.
“Essas ameaças têm vindo de setores ligados aos grandes
interesses econômicos da região, principalmente os da
grilagem de terras, do agronegócio, da indústria do carvão e
da indústria madeireira, que em sua maioria, desenvolvem
atividades ilegais, causando a destruição da Amazônia”,
relatou o movimento.
Segundo
dados da Comissão Pastoral da Terra de Tucuruí, nos três
últimos anos (2006-2009) 14 lideranças rurais foram
assassinadas nessa região em decorrência da luta pela terra
e denúncia de extração ilegal de madeiras. O último caso foi
o assassinato do presidente do Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Tucuruí, Raimundo Nonato, em abril desse ano. Até
agora nada foi feito para prender os mandantes desse crime.
As ameaças
de morte que as lideranças estão sofrendo foram registradas
recentemente na delegacia de polícia de Tucuruí. As
lideranças ameaçadas são: Roquevan Alves Silva e Dilma
Ferreira da Silva, e de forma indireta, outras lideranças
também tem sofrido constantes ameaças. Enquanto isso, a
justiça tem fechado os olhos para essa realidade,
ocasionando um clima muito tenso na região.
Segundo
lideranças do MAB, é preciso que os órgãos competentes façam
uma investigação séria sobre esses crimes e que se tome uma
postura para combatê-los. “Caso contrário, estaremos sendo
mais uma vez coniventes com essa triste realidade de
violência no campo”, afirmaram.
Apoio e
solidariedade
Entidades
parceiras e movimentos sociais estão mandando mensagens de
solidariedade. Há também entidades de direitos humanos
intervindo para levantar os suspeitos e impedir que novos
casos aconteçam. Além disso, na última terça-feira, o
deputado Luiz Couto (PT-PB) denunciou em Plenário o
assassinato de Odilon Bernardo da Silva Filho. "Exigimos a
imediata apuração e punição dos responsáveis pelo
assassinato do Odilon; exigimos o fim das ameaças e da
violência em Itatuba e punição aos agressores; exigimos o
reassentamento imediato das famílias atingidas; e exigimos
revisão das indenizações", disse o deputado. |