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05.08.2010
MAB e Ministério Público
Federal discutem direito dos atingidos pela UHE Mauá
Durante
essa semana aconteceu nos municípios de Ortigueira e
Telêmaco Borba, norte do Paraná, mais uma rodada de
negociações entre a população atingida pela Usina
Hidrelétrica Mauá e o consórcio Energético Cruzeiro do Sul,
que constrói a barragem sobre o Rio Tibagi.
O
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a Procuradoria
Estadual e o Ministério Público Federal discutiram a
garantia do direito das famílias e o real número de
atingidos. No EIA-RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e
Relatório de Impacto Ambiental) foram considerados atingidas
apenas 175 famílias, no entanto hoje passam de 500. O MAB
acredita que este número pode ser ainda maior.
Para o
estado do Paraná estão previstos mais de 200 projetos de
hidrelétricas. No Brasil são 1443 estudos para novas
barragens, que se somarão às mais de 2 mil barragens já
construídas, que expulsaram mais de 1 milhão de pessoas de
suas terras, sendo que 70% das famílias não receberam nada
de indenização.
A usina
Mauá está sendo construída pelo Consórcio Energético
Cruzeiro do Sul, constituído pelas empresas COPEL (51% das
ações) e ELETROSUL (49% das ações), é a maior obra do PAC no
estado e, segundo as lideranças do MAB no estado, “não
poderá aumentar ainda mais os dados alarmantes que
demonstram o descaso do setor elétrico brasileiro com a
população atingida por barragem”.
As
famílias temem que a obra seja concluída e não sejam
reparados os inúmeros danos causados. Elas afirmam que irão
à luta para garantir os seus direitos, uma das maiores
preocupações e de perder a terra e ficar sem condições de
sobrevivência. A coordenação do MAB no estado do Paraná tem
discutido junto às famílias ameaçadas a possibilidade de
construção de reassentamentos. “Mas para isso é necessário
muito empenho dos atingidos, a história tem nos mostrado
isso”, finalizou uma das lideranças. |