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06.03.2009
14 de Março - Dia
internacional de luta contra as barragens,
pelos rios, pela
água e pela vida
O
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
convoca todas as entidades, organizações, ativistas e
movimentos sociais a inserirem-se e nos ajudarem a realizar
as mobilizações que marcarão o Dia Internacional de Lutas
Contra as Barragens, na jornada do 14 de março. Nesta
data, populações atingidas por barragens do mundo inteiro
denunciam o modelo energético que, historicamente, tem
causado graves conseqüências sociais, econômicas, culturais
e ambientais. Segundo o relatório da Comissão Mundial de
Barragens (órgão ligado à ONU), no mundo, cerca de 80
milhões de pessoas foram atingidas direta ou indiretamente
pela construção de usinas hidrelétricas.
No Brasil, as barragens já
expulsaram cerca de 1 milhão de pessoas e mais de 34 mil Km²
de hectares de terras foram encobertos pelos reservatórios.
Denunciamos estes projetos que beneficiam prioritariamente
as empresas transnacionais, as quais se apropriam da
natureza e destroem a vida em nome do “desenvolvimento” e do
lucro. Para facilitar este modelo, os governos e a justiça
são extremamente rápidos em liberar licenças ambientais e
realizar desapropriações com o objetivo de construir
barragens.
Os últimos anos foram marcados
pelo avanço das grandes empresas nacionais e estrangeiras no
controle das riquezas naturais, minerais, da água,
das sementes, dos alimentos, do petróleo e da energia
elétrica. Todos estes bens tornam-se mercadorias e são
explorados pelos setores da indústria que se abastecem com o
alto consumo de energia. A atual crise do capitalismo mostra
o quanto este modelo de produção e consumo é insustentável e
insano, centrado apenas no lucro de poucos. Para o MAB
é necessário construir um novo modelo de
desenvolvimento, centrado na busca de condições dignas de
vida para a classe trabalhadora.
Cada vez mais nosso
compromisso é de nos organizarmos e de nos inserirmos nas
lutas contra as transnacionais, pelos direitos dos
trabalhadores, na defesa dos rios, da água e da vida.
As manifestações da semana do 14 de março serão
realizadas para pedir solução para a enorme dívida social e
ambiental deixada pelas usinas já construídas e para
fortalecer a luta por um outro modelo energético. Portanto,
essa luta não é apenas da população atingida pelos lagos,
pois todo o povo brasileiro é atingido pelas altas tarifas
da energia, pela privatização da água e da energia, pelo
dinheiro público investido em obras privadas (via BNDES).
Alternativas existem
Em se tratando do modelo
energético, a crise nas atividades econômicas e a
conseqüente queda no consumo da energia abrem a
possibilidade de discutir uma reestruturação profunda, que
parta das necessidades reais de superação das contradições
do atual modelo e que carregue os princípios da soberania
energética a partir de um projeto popular.
Portanto, cabe a nós fazermos
a luta de resistência e construirmos um novo modelo
energético e de sociedade!
Águas para vida, não para
morte!
Água e energia não
são mercadorias!
Movimento dos Atingidos por Barragens -
Brasil |