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06.05.2008
Movimentos
sociais reclamam sobre preço da luz
em audiência com
Aneel
Na
última quarta-feira (30), os movimentos sociais que constituem a
Assembléia Popular foram recebidos em audiência pelo Sr. Jerson
Kelman, diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Na ocasião, os participantes denunciaram os abusos cobrados
pelas empresas distribuidoras nas tarifas de energia elétrica,
as dificuldades da população pobre em acessar a tarifa social, a
má qualidade da energia e as graves conseqüências sociais e
ambientais ocasionadas pelas construções de barragens.
Como a
Aneel é o órgão federal que regulariza a distribuição de energia
elétrica no país, os movimentos sociais - que estão
implementando a Campanha Nacional Contra os Altos Preços da
Energia Elétrica - questionaram a atual política do setor
elétrico brasileiro, do qual fazem parte, além das empresas
geradoras, as empresas distribuidoras, que obtém um lucro
extraordinário com a venda da energia. Segundo as
lideranças presentes na audiência, a população pobre não está
conseguindo pagar a conta de luz, uma das mais caras do mundo.
Por outro lado, criticaram os altos incentivos que empresas
multinacionais recebem do governo na compra da energia.
A comparação levada para debate foi a taxa paga pela empresa
Vale e pelos consumidores residenciais. Enquanto uma família
mineira paga cerca de R$ 60,00 por 100 Kwh de energia, a Vale
paga R$ 3,30 pela mesma quantidade utilizada. “Não é possível
que os pobres deste país paguem a conta de grandes
multinacionais”, afirma Wilnean de Melo, coordenador do
Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD). Segundo Melo, o
MTD participa da Campanha contra os Altos Preços da Energia
Elétrica porque entende que assim enfrenta a lógica que mantém o
desemprego, estabelecida também pela exploração através do preço
da energia.
Depois
de fazer uma longa explanação sobre a composição da tarifa de
energia elétrica no Brasil, o diretor da Aneel reconheceu que
ela é "caríssima" e que, de fato, a população mais pobre tem
dificuldades em pagar a taxa. No entanto, teve dificuldades para
justificar o porquê de uma família brasileira pagar o dobro de
uma família estadunidense pela mesma quantidade de energia
consumida, já que ambos os sistemas possuem a mesma fonte de
geração. Kelman reconhece que há "gorduras" (lucro
extraordinário) obtidas pelas produtoras e distribuidoras.
Segundo ele, o alto preço é fruto dos altos impostos e
encargos embutidos na conta, com uma média nacional girando em
torno de 33% do valor total da tarifa.
Para o
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a explicação para
os altos preços está no padrão estabelecido pelo custo de
produção através da fonte energética mais cara em nível
internacional, a fonte térmica. Ou seja, mesmo tendo baixo
custo de produção, a energia elétrica de fonte hídrica possui
tal preço pois é estabelecido pelo preço do petróleo. Sobre as
conseqüências negativas que as barragens trazem para a população
atingida, ele as reconheceu e mencionou a importância da criação
de um marco regulatório que estabeleça regras às empresas
construtoras de barragens no tratamento social das famílias
atingidas.
Audiência Pública de Porto Alegre
No
encontro com o diretor ainda houve a manifestação de repúdio ao
ocorrido na Audiência Pública promovida pela Aneel em Porto
Alegre/RS, no dia 24 de abril. Na ocasião, cerca de 40
militantes de movimentos sociais foram barrados por seguranças
do prédio e impedidos de participarem. Frente a isso,
registraram denúncia na Procuradoria do Estado e na Procuradoria
Federal dos Direitos do Cidadão e aguardam pedido do Ministério
Público Federal de cancelamento da audiência pública.
O que o
MAB também questionou é o objetivo das Audiências Públicas que
estão sendo realizadas em Porto Alegre, São Paulo, Belém,
Salvador e Brasília. Para o movimento, é ilegítimo que um tema
que vai afetar diretamente o orçamento da classe trabalhadora
seja tratado dessa forma, com audiências apenas consultivas,
somente em cinco locais e, como ocorreu na capital gaúcha, sem
permitir que o povo organizado participe. “É inadmissível que
mais uma vez a população fique à mercê do que está sendo tratado
na Resolução 456, o que aconteceu em Porto Alegre é uma
vergonha. Esta resolução trata da distribuição de energia
elétrica em todo o Brasil e sabemos que as empresas
distribuidoras são as mais interessadas na sua reformulação”,
afirma André Sartori, militante do MAB. Entre os pontos
discutidos nestas audiências, os principais são a diminuição do
prazo para que a distribuidora corte a energia elétrica da
família que atrasa o pagamento e o aumento da taxa de religação
da energia.
As duas
últimas audiências públicas promovidas pela Aneel serão
realizadas nesta semana, no dia 7 de maio, em Salvador, e no dia
8 de maio, em Brasília. Para Sartori, é importante que a
população em geral e os militantes de movimentos sociais
participem destas audiências e manifestem contrariedade ao que
está sendo proposto como alterações na Resolução 456: "A minuta
da resolução é um retrocesso e, mais uma vez, quem vai pagar a
conta serão os trabalhadores pobres, devemos entender o que está
acontecendo e nos manifestar contra isso", conclui.
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