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06.08.2009
Em Rondônia, atingidos por barragens preparam acampamento
Festa camponesa antecede jornada de lutas no estado

Entre os dias 10 e 14 de agosto, famílias atingidas pela barragem de Samuel e pelo Complexo Madeira realizarão um acampamento com o objetivo de buscar soluções para os problemas sociais e ambientais causados por essas obras. A atividade faz parte da Jornada Nacional de Lutas.

“Não queremos repetir o que aconteceu com os atingidos pela barragem de Samuel. Milhares de pessoas ficaram sem casa, sem terra, e foram aumentar a pobreza das periferias de Porto Velho. Exigimos reassentamentos e indenizações justas”, declaram as lideranças do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens).

A partir de setembro do ano passado, com as obras da hidrelétrica de Santo Antônio, os ribeirinhos que viviam na margem esquerda do rio começaram a ser expulsos de suas casas de maneira desrespeitosa. O MAB vem denunciando as indenizações injustas e a forte pressão psicológica a que estão submetidos estes ribeirinhos (Veja mais informações no vídeo Complexo Madeira expulsa ribeirinhos).

O meio ambiente também vem sofrendo com as obras da UHE Santo Antônio administradas pelas empresas Furnas e Odebrecht, do consórcio Madeira Energia. Em dezembro do ano passado as empresas foram multadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em R$ 7,7 milhões pela morte de 11 toneladas de peixe, em conseqüência das obras.

O preço da Luz é um roubo

Segundo o MAB, a energia gerada por essas barragens que expulsam os ribeirinhos de suas terras vai para as grandes empresas, de forma subsidiada (ou seja, mais barata), enquanto que as famílias e os próprios ribeirinhos pagam muito caro por ela. Por isso, no último dia do acampamento, os participantes farão um ato de entrega das autodeclarações que garantem a tarifa social de energia.

Movimentos sociais de Rondônia realizam festa camponesa

De 07 a 9 de agosto acontece em Ouro Preto do Oeste/RO a II Festa Camponesa, organizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento Sem Terra (MST) e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). A atividade tem o objetivo de fortalecer e ampliar a luta contra o atual modelo de agricultura (baseada em grandes áreas de monocultivo para a exportação) e a defesa da agricultura camponesa que produz alimentos saudáveis.

“A festa camponesa será um espaço de troca de conhecimentos, saberes populares e experiências na área da produção agroecológica, além do resgate da cultura”, ressalta Tânia Leite, do MAB. Além disso, a festa propõe debater sobre a soberania alimentar e energética. “Todas as barragens que estão sendo construídas na Amazônia, e em especial as duas barragens do rio Madeira, em Rondônia, cada vez mais deslocará os camponeses de suas terras, só a barragem de Santo Antônio está expulsando milhares de famílias. Essas obras são parte de um processo de perda da cultura de nosso povo”, finalizou.

Contato: (69) 9268 8296

 

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