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06.10.2009
MAB cobra políticas
sociais para atingidos por barragens
Nesta
semana o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) lançou
um cartaz para agilizar a solução do passivo social na
construção de barragens. Durante o lançamento do Plano Safra
da Agricultura Familiar, em julho, o presidente Lula
reconheceu a dívida que o estado brasileiro tem com os
atingidos por barragens. “Esse (o MAB) é um movimento que eu
pedi para o companheiro Dulci conversar e ver qual é a
dívida que o Estado brasileiro tem com eles, porque
certamente nós temos dívidas com eles. Durante muito tempo
se construiu hidrelétricas, se prometia dar casas, e não
veio as casas e não veio as terras”, reconheceu o
presidente. Lula afirmou ainda que não quer deixar o governo
sem pagar essa dívida histórica que o Estado tem com os
atingidos por barragens.
Segundo o
MAB, o reconhecimento do presidente pode ser uma
oportunidade para o governo criar uma política social de
tratamento às populações atingidas por barragens. Hoje, no
Brasil, não há uma legislação que assegure e estabeleça
quais são os direitos dos atingidos por barragens, nem há um
órgão público encarregado de realizar as indenizações e
reassentamentos dos atingidos. Sendo assim, há muitos casos
de indenizações injustas e de desrespeito aos direitos
humanos no processo de instalação de uma barragem.
“Em todos
os estados os atingidos ficam a mercê das empresas donas da
barragem, que estão interessadas somente no lucro e não nos
direitos humanos. Não podemos deixar esta situação
continuar. É por isso que nós não queremos somente resolver
os problemas do passado, e sim criar uma nova política”,
afirmou a coordenação nacional do MAB.
Consequência para mulheres
O MAB
chama atenção para o fato de que os problemas ocasionados
pelas barragens são ainda mais cruéis para as mulheres.
Segundo Soniamara Maranho, o aumento dos casos de violência
doméstica contra as mulheres, decorrente do alcoolismo, e os
inúmeros casos de depressão, são alguns dos efeitos
agravados pela desestruturação das famílias durante o
processo de instalação de uma hidrelétrica. O aumento da
prostituição, com a chegada das obras é outro problema.
“Portanto, o reconhecimento do presidente Lula é o primeiro
passo para que se reconstitua a vida das famílias atingidas,
devolvendo a elas, e principalmente às mulheres, o modo de
vida ligado à agricultura”, afirmou Sonia.
Na
proposta do MAB, algumas questões centrais devem ser objeto
de estudo da Comissão. A saber: estabelecer o conceito de
atingido; estabelecer quais são os direitos dos atingidos e
as formas de garantir esses direitos; que se realize um
amplo levantamento dos problemas sociais e ambientais da
sobras construídas; etc. |