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06.10.2009
Moção de solidariedade
aos povos originários e às populações tradicionais do Xingu,
contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte
Nós,
movimentos sociais, organizações e redes da sociedade civil,
reunidos no seminário “Clima e Floresta em debate: REDD e
mecanismos de mercado como salvação para a Amazônia?”
expressamos nossa solidariedade às lutas dos povos
originários e das populações tradicionais do Xingu, em
resistência à construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo
Monte.
No momento
em que a comunidade internacional se prepara para debater
soluções para o aquecimento global no âmbito da COP 15 na
Dinamarca, incluindo a discussão sobre mecanismos para a
preservação das florestas como meio de redução das emissões
de gases de efeito estufa, denunciamos que a Amazônia é hoje
alvo de grandes projetos de infraestrutura, que agravam a
degradação do meio ambiente e aprofundam o modelo de
desenvolvimento responsável pelas mudanças climáticas.
Neste
contexto, condenamos particularmente os projetos de grandes
usinas hidrelétricas como alternativas de energia limpa,
como é o caso do projeto de construção da UHE de Belo Monte
sobre o Rio Xingu. O discurso utilizado para legitimar
projetos de construção de barragens, considera apenas o
metano emitido na superfície do lago, sem sequer mencionar
as emissões das turbinas e vertedouros. Esta é uma distorção
ainda mais grave no caso de Belo Monte do que para outras
barragens, uma vez que, do modo como está planejado o
projeto, haverá um grande volume de água passando pelas
turbinas, o que leva a uma maior emissão de gases.
A energia
que será gerada em Belo Monte, atenderá, sobretudo, à
demanda de grandes empresas eletro-intensivas, que
contribuem para a destruição da Amazônia em nome do saqueio
e da exportação de nossos recursos naturais. Enquanto isso,
por exemplo, aproximadamente onze mil pessoas da Reserva
Extrativista Verde Para Sempre, localizada no município de
Porto de Móz, permanecerão sem acesso à energia elétrica. A
construção de Belo Monte atingirá 13 municípios e 18 aldeias
indígenas e representa uma ameaça ao modo de vida dos povos
originários, das populações tradicionais da Amazônia e de
moradores e moradoras das áreas rurais e urbanas,
verdadeiros interessados na preservação da floresta, bem
como às suas culturas ancestrais. Trata-se, portanto, de um
potencial crime sócio-ambiental, que ampliará a dívida
social e ecológica da qual os povos amazônidas são credores.
Condenamos
ainda a criminalização dos movimentos sociais que há mais de
20 anos vem resistindo contra a construção da UHE Belo
Monte, e cujas lideranças vem sofrendo um agravamento das
difamações e ameaças de execução desde a intensificação do
debate em volta da construção da usina.
Os
problemas enfrentados no esforço de preservação da Amazônia
são graves e urgentes, mas não podemos nos deixar enganar
por falsas soluções imediatistas. Só uma grande aliança
firmada entre os povos da floresta será capaz de barrar a
ofensiva do grande capital sobre a Amazônia. Belo Monte não
passará!
Belém, 03 de outubro de 2009 |