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07.06.2010
Famílias sem terra ocupam
INCRA em BH
Na
manhã de hoje (7), cerca de 500 famílias ligadas à Via
Campesina ocuparam a sede da Superintendência do INCRA
(Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em
Belo Horizonte (MG). Os manifestantes cobram do órgão
agilidade da Reforma Agrária, em especial para as famílias
já acampadas.
O MST
exige o assentamento para as famílias acampadas e
assistência técnica para as famílias já assentadas. O
Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) cobra que o INCRA
agilize assentamento para os camponeses sem terra ou com
pouca terra. Já o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
reivindica, sobretudo, a vistoria de terras para
reassentamento de famílias atingidas por barragens do Leste
e da Zona da Mata Mineira. “O INCRA cadastrou as famílias e
desapareceu da região”, reclamam as lideranças.
Dezenas de
famílias atingidas pela barragem de Fumaça, acampadas no
Acampamento Dom Luciano desde o dia 14 de março, participam
da mobilização. “A barragem foi construída pela Novelis, uma
empresa transnacional que usa a hidrelétrica para abastecer
sua indústria de alumínio na cidade de Ouro Preto, e deixou
as famílias abandonadas, sem terra e sem os meios de
subsistência”, disse Claret Fernandes.
Dentre
as várias categorias atingidas, os diaristas foram os mais
prejudicados. Dos mais de 400 diaristas atingidos, alguns
não foram reconhecidos e muitos receberam uma indenização de
apenas 238 reais. Em julho do ano passado o Governo Lula
reconheceu publicamente a dívida do Estado Brasileiro com as
populações atingidas por barragens e prometeu o pagamento
dessa dívida antes do final do seu Governo, determinando ao
INCRA o levantamento dessa dívida através do cadastramento
das famílias atingidas.
“O MAB vem
percebendo que tudo está lento demais, com muita conversa e
poucos avanços práticos enquanto as famílias continuam
sofrendo debaixo de lonas sem vistoria das terras por parte
do INCRA, conforme já tinha também prometido. O
cadastramento das famílias é muito importante para sinalizar
a vontade do Governo de cumprir sua promessa, mas só isso
não basta”, finalizou Fernandes.
Entre os
pontos da pauta de reivindicação dos atingidos por barragens
está a vistoria das terras para reassentamento das famílias
já cadastradas, plano de reassentamento e aquisição das
terras, término do cadastramento das famílias pelo INCRA e
meios de subsistência às famílias acampadas.
Os
manifestantes permanecerão acampados no INCRA em Belo
Horizonte até terem suas pautas atendidas e o Instituto
apontar medidas concretas para a negociação com os
movimentos organizados. |