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07.08.2009
MAB se prepara para a
jornada de lutas
Na próxima semana,
trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade sairão às
ruas
O
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) se prepara para
a jornada nacional de lutas, que acontece em todo o país, de
10 a 14 de agosto. Entre os pontos de pauta do Movimento
está o debate sobre o modelo energético, os direitos dos
atingidos e a crise que assola os trabalhadores.
Em
Brasília, participa do acampamento
que reunirá, entre 10 e 21 de agosto, mais de 3 mil
trabalhadores e trabalhadoras dos movimentos sociais da Via
Campesina. O tema central do acampamento é a Reforma
Agrária, com o enfoque no debate sobre o assentamento de
todas as famílias acampadas, ampliação dos recursos para
Reforma Agrária e a revisão dos índices de produtividade.
Porém outros temas também perpassam o acampamento, como o
debate sobre a soberania energética, a campanha contra o
alto preço da energia elétrica e a reivindicação dos
direitos dos atingidos por barragens.
“Os
atingidos por barragens acampam junto com os sem-terra para
reivindicar do governo e das empresas construtoras de usinas
os seus direitos. O próprio Lula reconheceu a dívida que o
Estado brasileiro tem conosco. Nossa luta é para que esse
reconhecimento se transforme em ações concretas para a
melhoria das condições de vida e de trabalho do nosso povo”,
afirmam os coordenadores do MAB que acompanham a organização
do acampamento e que estão em Brasília para mais uma rodada
de negociações com o governo federal.
Já na
divisa entre o Tocantins e o Maranhão, cerca de 1300
pessoas, estão acampadas em frente à Usina Hidrelétrica de
Estreito desde o dia 21 de julho. Hoje (07/08), os
manifestantes realizaram uma marcha pela cidade de
Estreito/MA, exigindo que as empresas Camargo Corrêa, Alcoa,
Vale e a Suez-Tractebel, donas da barragem, reconheçam os
pescadores, meeiros e indígenas como atingidos por barragens
e solucionem os problemas causados pela obra.
Em
Fortaleza/CE,
o MAB e a Central dos Movimentos Populares (CMP), entre
outros, intensificam na próxima semana, a campanha contra os
altos preços da luz. As atividades já iniciaram e o objetivo
é denunciar os preços abusivos que a população paga pela
conta de energia elétrica, informá-la sobre o seu direito à
Tarifa Social de Energia e exigir a reestatização da Coelce,
distribuidora de energia do estado.
A campanha
contra o alto preço da energia elétrica também acontece em
Petrolina/PE. Lá, as organizações também pretendem
questionar as grandes obras do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) da região, entre elas a transnordestina, a
transposição do rio São Francisco e as grandes barragens.
“Pagamos duplamente com essas obras, que além dos enormes
impactos sociais e ambientais que trazem, temos a energia
elétrica a um preço absurdo”, criticou Juziléia Carvalho do
Nascimento, da Rede de Educação Cidadã.
No
município de Itapiranga/SC, o Movimento realizará um
encontro de estudo sobre o setor energético e a situação
atual da barragem de Itapiranga, que culminará em um ato
público. Assim como Santo Antônio, Jirau e Estreito, a
Barragem de Itapiranga também faz parte do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Segundo
o MAB, essa usina não trará desenvolvimento econômico para o
município. Comparando a produção agrícola das comunidades
com os retornos de compensação econômica (que é proporcional
a área alagada), a conclusão é de que os municípios
atingidos teriam um desfalque anual de cerca de 57 milhões
de reais.
Também na
bacia do rio Uruguai, em Pinhal da Serra/RS acontece
o acampamento organizado pela Assembléia Popular, que
reunirá atingidos por barragens, movimentos sociais e
entidades da região. O acampamento tem como objetivo
discutir sobre vários temas relacionados à crise financeira
e sobre os prejuízos causados pelas hidrelétricas ao meio
ambiente, pequenos agricultores e aos trabalhadores como um
todo. “Em junho os movimentos sociais da região organizaram
grandes mobilizações em torna da luta da seca e tivemos
algumas conquistas, no entanto, devemos continuar
mobilizados para garantirmos as vitórias”, disseram as
lideranças que organizam o acampamento.
Em
Minas Gerais,
será realizado o Seminário dos Atingidos pela Mineração, em
Congonhas. O objetivo é reunir as famílias prejudicadas
pelos projetos de exploração de minério na região, situação
agravada com a implantação das siderúrgicas das empresas
francesa, Valorec, e japonesa, Sumitomo, em Jeceaba/MG e
pela expansão da CSN em Congonhas. As áreas desapropriadas
pelo governador do estado e repassadas a essas empresas
chega a quase 4 mil hectares e o canteiro de obras, que
deverá ocupar 8 mil homens, já deixa seus rastros nas
pequenas cidades da região, principalmente em Entre Rios de
Minas e São Brás. “Entre Rios teve seu Plano Diretor
totalmente manipulado pelas empresas, desenhando o futuro da
cidade segundo seus interesses. São Brás enfrenta diversos
problemas. O principal deles é que a água da rede pública de
abastecimento está sendo ocupada para fazer concreto e
seguidamente falta nas residências”, afirmam as lideranças
do MAB.
“Nesta
jornada de lutas queremos fazer uma análise das
conseqüências das hidrelétricas tanto para os atingidos
quanto para toda a sociedade. Por outro lado, nesse momento
de crise, vamos também avaliar e construir propostas
populares para o Brasil, juntamente com todas as demais
forças sociais de esquerda”, diz Gilberto Cervinski, da
coordenação nacional do MAB. Outras atividades também estão
sendo organizadas nos estados.
Setor de Comunicação – MAB |