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07.10.2010
Encontro Internacional de Atingidos encerra com protesto
no canteiro de obras da barragem El Zapotillo

Leia o documento final do encontro - English  l  Español

Na tarde de ontem (6/10), encerrou-se o 3º Encontro Internacional dos Atingidos por Barragens, que iniciou no dia 2 de outubro, em Temacapulin, no México. Depois de muitos debates sobre a situação das barragens do mundo e do avanço do capitalismo sobre o setor elétrico, o encerramento foi marcado pelo fortalecimento da luta dos atingidos pela barragem de El Zapotillo, obra em processo de construção no Rio Verde. Se finalizada, hidrelétrica encobrirá todo o povoado de Temacapulin, que recebeu o encontro internacional.

Durante toda a tarde, os delegados de mais de 60 países fizeram uma marcha até onde está sendo construído o muro da barragem, pediram o cancelamento imediato da obra e declararam que a luta dos anfitriões é a luta de todos os participantes e de suas organizações.

Antes do protesto, foi aprovado o documento final do encontro, onde as cerca de 320 pessoas presentes reafirmaram o dia 14 de março como o Dia internacional de luta contra as barragens e pelos rios, pela água e pela vida. O documento versou ainda sobre a solidariedade internacional com as comunidades atingidas pela barragem El Zapotillo (Temacapulin, Acasico e Palmarejo), sobre os ganhos, desafios e demandas do movimento internacional e por fim, sobre os compromissos assumidos.

Entre eles estão intensificar as lutas e campanhas contra as barragens, pelos direitos das populações atingidas e pela reparação integral de suas perdas; fortalecer os movimentos unindo-se com outros que lutam contra o modelo de desenvolvimento neoliberal; e seguir discutindo e construindo coletivamente os princípios e diretrizes de um modelo energético e de uso da água baseado na responsabilidade ambiental e a serviço dos povos.

O documento encerra apontando os rumos do movimento internacional para os próximos anos: “nossa luta contra as barragens e o atual modelo de uso da água e da energia é também uma luta contra uma ordem social dominada pelo imperativo de maximizar os lucros das empresas e é uma luta por uma sociedade baseada na equidade e na solidariedade”, declara.

Para os representantes do MAB que estiveram no México, o encontro foi um grande espaço de troca de experiências e articulação entre organizações internacionais que lutam contra as barragens. Além disso, “avançamos na nossa compreensão de que os problemas que acontecem no Brasil referentes à construção de barragens acontecem em vários outros países do mundo e que, portanto, a luta deve ser unificada”, declarou um dos participantes.

 

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