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07.12.2010
“Hidroelétrica não é
energia limpa”, alerta MAB
Em Cancún, movimento
incrementa as críticas às falsas soluções apresentadas pela
COP 16
Vinicius Mansur
De Cancún (Mèxico)
Entre
as diversas propostas apresentadas na COP 16 – conferência
da ONU sobre mudanças climáticas - que visam a combater a
crise ambiental incrementando grandes negócios, o Movimento
dos Atingidos por Barragens (MAB) do Brasil atacou aquelas
que defendem as hidroelétricas como energia limpa.
“O
discurso das grandes empresas e dos governos que as
representam é que, em comparação com a energia nuclear, as
hidroelétricas representam uma energia limpa. Mas, uma
represa construída no Brasil, em Barra Grande (RS), alagou
seis mil hectares de araucária”, denunciou a representante
do MAB, Tatiane Paulino, na manhã desta segunda-feira (6) em
Cancún, durante o painel “Lutas que cruzam fronteiras: água,
mineração, petróleo, migração, represas, urbanismo
selvagem”, realizado no fórum promovido pela Via Campesina,
paralelamente à COP 16.
De acordo
com Paulino, o Brasil já tem mais de duas mil represas
construídas que afetaram mais de um milhão de pessoas e
ainda estão previstos, para os próximos 10 anos,
investimentos de 113 bilhões de dólares para construir
represas que alagarão cerca de 770 mil hectares de florestas
nativas. “As cinco maiores bacias do país estão na Amazônia
e todas já comprometidas com projetos do capital”, afirmou.
No espaço
oficial da COP 16 em Cancún, o governo brasileiro exibiu
grandes fotos das hidroelétricas do Rio Madeira e de Belo
Monte como forma de propagandear as ações ambientais no
país, apesar destes projetos terem desalojado 80 mil pessoas
entre indígenas, quilombolas e ribeirinhos.
“A represa
do rio Madeira afeta Bolívia e Peru, e estamos em lutas
conjuntas com os irmãos desses países. Não podemos fazer
lutas separadas. Não podemos esperar que as soluções venham
de empresas e governos, estes estão a serviço das empresas.
Esta é uma luta dos povos. Temos que construir um movimento
internacional, deixando de ser um movimento numa pequena
província”, concluiu Paulino.
Internacionalização do discurso
Outra
representante do MAB em Cancún, Sonia Mara Maranho, destacou
a tendência mundial das empresas em se apropriar da bandeira
ambiental, criando falsas soluções para combater o
aquecimento global, quando na verdade buscam legitimar suas
atividades, obter subsídios e outras facilidades de governos
ou expandir seus mercados. No caso das hidroelétricas,
propagandeiam o alto potencial na redução de emissão de
poluentes, porém omitem a destruição da natureza, a
privatização do meio ambiente e a expulsão de populações
inteiras.
“Querem
criar o mercado internacional de carbono, por exemplo, para
criar novos mercados e mercadorias. As empresas mais
poluidoras são as protagonistas desse discurso e se
apresentam como as salvadoras. Internacionalizam uma busca
desesperada de lucro e mais valia, e os povos não são
consultados”, disse.
Nesse
sentido, Maranho destacou a importância do referendo mundial
sobre mudanças climáticas que está sendo proposto pelo
governo da Bolívia à COP 16. |