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08.03.2010
Em todo o país, camponesas
lutam contra agronegócio e violência contra a mulher
Somando-se à luta feminista durante este 8 de março, as
mulheres da Via Campesina se mobilizam por todo o país para
denunciar os malefícios do agronegócio contra a vida e o
trabalho das camponesas. Atos, protestos e atividades de
formação e estudos acontecem desde a semana passada em todas
as regiões do país.
A Jornada de Lutas contra o
Agronegócio e contra a Violência: por Reforma Agrária e
Soberania Alimentar pretende resgatar a data como o Dia
Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras e
questionar o modelo de desenvolvimento imposto pelas
empresas transnacionais, pelos bancos, pelo governo e pelo
Estado para o campo brasileiro. Neste ano são comemorados os
100 anos do 8 de março. “Defendemos alternativas viáveis
como a agroecologia, a agricultura camponesa cooperada, a
produção de alimentos saudáveis. A Reforma Agrária continua
sendo uma medida democratizante e importante para a
implantação destas propostas”, afirma Marina dos Santos,
integrante da coordenação nacional do MST.
O atual modelo econômico não
tem condições de gerar desenvolvimento e melhores condições
de vida para a população, garantindo os direitos sociais e a
Reforma Agrária. Segundo o Censo Agropecuário de 2006, a
agricultura familiar é a responsável por 85% da produção de
todos os alimentos. E é nela que trabalham 85% das pessoas
do campo.
Além disso, poucas empresas no
mundo controlam a produção de alimentos, desde a semente até
a venda para o consumo. Em 2005, as dez maiores produtoras
de semente controlavam cerca de 50% do mercado mundial. Com
isto, as relações de trabalho, os direitos trabalhistas e
previdenciários das mulheres e homens são violados
constantemente.
A questão agrária continua sem
solução: existem no Brasil 90 mil famílias acampadas e mais
de quatro milhões de famílias sem-terra no País. A parcela
de mulheres beneficiárias pela Reforma Agrária é baixa
(12,6% em 1996; 13% em 2002 e 13,6% em 2003). Na Colômbia,
esse índice chega a 45%. Segundo a FAO, somente 1% das
propriedades rurais em todo o mundo estão em nome de
mulheres.
Estados
Em São Paulo, 250
mulheres da Via Campesina participam da 3ª Ação
Internacional da Marcha Mundial das Mulheres.A partir de
hoje (8/3), as mulheres começam a marcha de Campinas a São
Paulo com mobilizações nacionais simultâneas de diferentes
tipos, formas, cores e ritmos para marcar o centenário da
Declaração do Dia Internacional das Mulheres.
No Rio de Janeiro,
trabalhadoras da Via Campesina e do Comitê de Erradicação do
Trabalho Escravo marcham na BR-101, rumo à Usina Capim, em
Ururaí, Campos dos Goytacazes. Em 2009, o estado liderou os
índices de resgate de trabalhadores em situação análoga ao
escravo. Foram 715 trabalhadores resgatados pelo Ministério
Público do Trabalho, num total de 4.283 em todo o Brasil.
No Paraná, cerca de
1.000 camponesas ocupam a Usina Central do Paraná desde as
seis horas da manhã na cidade de Porecatu (norte do Paraná).
O ato denuncia a monocultura da cana e o trabalho escravo.
No Ceará, mais de 400
mulheres estão em frente à indústria química Nufarm, no Novo
Maracanaú, Região Metropolitana de Fortaleza. Elas fazem
protesto contra a fábrica, oitava maior produtora de
agrotóxicos do mundo.
Na Paraíba, 400
mulheres da Via Campesina marcham pelas ruas do município de
Sousa, sertão da Paraíba. Elas denunciam o uso desenfreado
de agrotóxicos pelo grupo Santana, grande empresa agrícola.
Os maiores prejudicados são as famílias acampadas no pré-
assentamento Isabel Cristiano.
Em Alagoas, as
manifestantes acampam na praça dos Martírios, nem Maceió, em
frente ao Palácio do Governo do Estado, ficando ali
instaladas para as atividades da semana. Em Arapiraca, cerca
de 350 trabalhadoras da Via Campesina realizam ato nesta
manhã na praça Marques, Centro. Em Delmiro Gouveia, uma
marcha discute a construção do Canal do Sertão, obra que
deve privilegiar os grandes latifundiários, já que seu
usufruto será comercial.
Em Pernambuco, cerca de
180 mulheres reocuparam, pela quinta vez, a Fazenda Uberaba,
no município de Bonito, brejo pernambucano. As manifestantes
montaram acampamento ontem (7/3) junto com suas famílias. Em
2004, homens armados perseguiram militantes do MST acampados
próximos à fazenda. Um dos homens foi identificado como
filho da proprietária da área que mantinha pistoleiros
fortemente armados.
Em Minas Gerais,
durante os dias 6, 7 e 8 de março, 500 mulheres se mobilizam
para denunciar a situação de opressão em que vivem por causa
do agronegócio, da violência e do machismo, da
criminalização e acima de tudo do sistema capitalista.
Em Tocantins, mais de
800 mulheres da região Amazônica e demais movimentos
populares do Estado do Tocantins farão uma caminhada em
comemoração aos 100 anos de instituição do dia 8 de março. O
protesto será em defesa da vida, pelos direitos humanos e
pela soberania alimentar.
As mulheres do Mato Grosso
promovem uma campanha de doação de sangue em frente aos
correios e a Igreja Matriz, em Várzea Grande. As
mato-grossenses estão reunidas no Encontro Estadual de
Mulheres Trabalhadoras Rurais do estado que será marcado por
debates sobre a atual conjuntura, os impactos sociais,
ambientais e econômicos do agronegócio e o papel da mulher
na transformação da sociedade.
No Rio Grande do Sul,
trabalhadoras da Via Campesina, do MTD (Movimento dos
Trabalhadores Desempregados), da Intersindical e do Levante
da Juventude estão mobilizadas desde o dia 3/3. As
manifestantes promoveram palestras e ocuparam a Delegacia do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em Porto
Alegre. Elas ainda se somaram aos estudantes e trabalhadores
urbanos no dia 4/3 para uma vigília na reitoria da UFRGS em
protesto contra a votação do projeto do Parque Tecnológico.
Em Goiás , mais de 600
mulheres da Via Campesina fazem uma caminhada contra o
agronegócio no município de Rubiataba. Desde o dia 5/3, as
camponesas estão reunidas em atividades de formação em
comemoração ao Dia Internacional da Mulher.
Com informações do MST |