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08.03.2010
Tese de doutorado aborda
o cenário brasileiro das hidrelétricas
e a atuação do Movimento
dos Atingidos por Barragens
No
último dia 03 de março, o aluno da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo, Dirceu Benincá, defendeu a tese de
doutorado intitulada “Água e energia para a vida – O
Movimento dos Atingidos por Barragens no Brasil
(1991-2009)”. A tese é uma análise sobre os principais
impactos sociais, ambientais e simbólicos gerados com a
construção de barragens.
“Lancei um
olhar sobre o cenário brasileiro, tentando entender o modelo
energético vigente, vinculado aos impulsos do capitalismo, o
qual se move pelo lucro a qualquer custo”, afirmou Benincá.
O trabalho tem por objetivo principal analisar alguns
aspectos da trajetória do MAB, sobretudo suas formas de
organização e resistência aos grandes projetos
hidrelétricos. Investiga a articulação das questões
sociopolíticas com a dimensão ambiental em sua história
recente. Destaca também os principais valores e práticas que
emergem de suas lutas.
Além do
orientador, Prof. Dr. Luiz Eduardo Wanderley, da PUC/SP,
fizeram parte da banca examinadora os professores Drª Maria
Lucia Carvalho da Silva e Drª Rosangela Dias Oliveira da Paz
(da PUC/SP), Dr. Antonio Boeing, das Faculdades Integradas
Claretianas; e Dr. Ivo Lesbaupin, da Universidade Federal do
Rio de Janeiro. Mais de 40 pessoas, entre professores,
alunos, membros do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
e amigos assistiram a apresentação.
No Brasil,
são poucos os rios de médio e grande porte que ainda não
foram barrados no mínimo em um ponto para a instalação de
usinas hidrelétricas. De acordo com o Movimento dos
Atingidos por Barragens, a cifra dos expulsos de suas
propriedades e locais de vida por tais projetos já
transcende um milhão de brasileiros, sendo que cerca de 70%
deles não têm seus direitos garantidos. “Dessa maneira as
barragens acabam por aumentar o contingente dos sem terra,
sem trabalho e sem perspectivas, ampliando a fome, a
violência e a miséria”, ressalta o autor.
Outro
ponto enfatizado no trabalho é o processo através do qual as
populações afetadas com a construção de barragens no Brasil
podem resgatar sua dignidade, preservar seus direitos
ameaçados e conquistar outros que jamais obtiveram. Dirceu
explica que, ao fortalecerem a consciência coletiva de
sujeitos de direitos e deveres, os atingidos por barragens
se habilitam ao exercício de uma cidadania ecológica,
como aquela que se caracteriza por uma visão mais
integradora das diversas dimensões da vida humana.
Os
posicionamentos teóricos, as múltiplas formas de
resistências e denúncias, a defesa dos direitos dos
atingidos, as conquistas e proposições concretas do
Movimento ao longo de sua trajetória dão a estrutura da
outra parte da tese. Nela, Benincá procura demonstrar que os
objetivos e a luta do MAB não se restringem à busca de
medidas paliativas e compensatórias, mas se voltam para a
construção de um projeto energético distinto e, em última
instância, para a instauração de uma sociedade sustentável,
justa, solidária, democrática e protetora do meio ambiente.
Após ter
realizado seu doutorado em Ciências Sociais (2007- 2009) em
São Paulo, com um estágio de cinco meses em Coimbra
(Portugal), Dirceu retornou para Erechim, sua cidade de
origem, onde assumiu um cargo de direção da recém criada
Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). |