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08.05.2008
MAB denuncia
violações de direitos humanos no Tribunal dos Povos
O alvo das
denúncias são as empresas transnacionais européias.
As ações
acontecem no Rio de Janeiro e em Lima, no Peru
Acontece hoje (8), no Rio de Janeiro, uma audiência pública onde
serão apresentadas as violações das empresas transnacionais
européias com atuação no Brasil. As empresas denunciadas são a
construtora Suez, Companhia Siderúrgica do Atlântico, Syngenta,
Shell, a indústria farmacêutica Roche e Boheringer e Unilever.
A
audiência "Rumo ao Tribunal dos Povos" é organizada pelo
Instituto Rosa Luxemburg Stiftung e PACS (Políticas Alternativas
para o Cone Sul) e faz parte das atividades do tribunal
internacional que julga a atuação abusiva de empresas
transnacionais européias na América Latina, principalmente a
violação de direitos humanos, sociais, ambientais e
trabalhistas, abordando o regime onde prevalece o poder das
corporações sobre os direitos dos povos.
Segundo
nota do Instituto organizador da audiência “uma série de
organizações sociais da Europa e da América Latina pretende
demonstrar que a União Européia vem sendo um importante motor da
globalização neoliberal, com acordos de associação e
investimento que estabelecem condições para que suas grandes
empresas atuem de forma a desrespeitar os direitos dos nossos
povos”.
O
próximo passo será a participação de integrantes de entidades
brasileiras no Tribunal dos Povos, que será realizado em Lima,
no Peru, de 13 a 16 de maio. Na ocasião, as organizações e
movimentos sociais também apresentarão denúncias contra empresas
transnacionais. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
estará presente fazendo a denúncia de violações cometidas pela
construtora belgo-francesa Tractebel-Suez e pelo banco Santander
no financiamento de diversas hidrelétricas no país. A denúncia
recai sobre os impactos sócio-ambientais decorrentes da
construção das usinas hidrelétricas de Estreito, em Tocantins, e
de Cana Brava, em Goiás.
Conhecendo os dois casos
A
Tractebel Energia é a maior empresa privada geradora de energia
no Brasil, atua no mercado brasileiro desde 1998 e possui seis
usinas hidrelétricas e sete termelétricas. Além dela, também são
responsáveis pela implantação e operação da Usina Hidrelétrica
de Estreito as empresas Alcoa, Camargo Correa e Vale, que
negam-se a reconhecer o impacto da obra sobre as terras
indígenas de várias etnias, fato que vem sendo denunciado pelo
Conselho Missionário Indigenista desde 2006. Além disso,
negam-se a negociar com os representantes da população e o
Movimento dos Atingidos por Barragens. Como conseqüência, não
existe “Termo de Acordo Social” onde são estabelecidos os
direitos da população atingida e os procedimentos a serem
adotados pelas empresas. A prática autoritária da empresa é
confirmada pelo MPF e MPE que recomenda a criação de fórum de
negociação.
No caso
da UHE de Cana Brava, a Tractebel nega-se a indenizar 75% das
famílias atingidas pela hidrelétrica, cerca de 1000 famílias.
Essas famílias expulsas perderam suas moradias e seu trabalho,
sendo na maioria agricultores e mineradores. O MAB possui um
cadastro com 808 famílias atingidas que ainda não receberam
qualquer tipo de indenização e o Ministério Público Federal
afirma, desde 2002, que a empresa inundou terras indígenas dos
Avá-Canoerios, sem qualquer estudo de impacto ambiental ou
indenização.
A
construção da obra iniciou em 1998 e foi concluída em dezembro
de 2001 e foi financiada pelo BID e pelo BNDES. Em julho de 2005
o Painel Independente realizado em resposta a solicitações dos
atingidos concluiu que o BID e a Tractebel não cumpriram
integralmente a Política Operacional OP-710 sobre Reassentamento
Involuntário (do BID). O painel não foi divulgado integralmente,
por considerar as informações "identificadas como confidenciais
ou sensíveis" ou que possam "afetar negativamente as relações
entre os países membros e o Banco ou entre clientes do setor
privado e o Banco, se divulgadas". Para não ter que seguir as
recomendações do BID, a Tractebel quitou o financiamento que
tinha com o Banco pouco depois de divulgado parte do relatório.
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