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08.11.2010
Agricultura familiar
impediu crise dos alimentos
Após
analisar os dados dos Censos Agropecuários do IBGE de 1996 e
2006, a professora da Universidade Federal do Mato Grosso do
Sul (UFMS) Resemeire Aparecida de Almeida, contesta a
eficiência do agronegócio. De acordo com suas análises, no
Paraná e no Mato Grosso do Sul, o agronegócio está se
apropriando das melhores terras, o que provocou um recuo das
áreas destinadas ao plantio de arroz e feijão. Ela concluiu
que a agricultura familiar impediu uma crise no
abastecimento de alimentos.
“64% dessa
produção veio das pequenas unidades de produção, tanto no
Mato Grosso do Sul quanto no Paraná. Enfim, a gente pode
dizer com muita segurança que as pequenas propriedades são
responsáveis, de forma geral, pela comida que está na mesa
dos brasileiros.”
Rosemeire
cita o exemplo a cidade de Santa Rita do Pardo, no Mato
Grosso do Sul. No local, onde as propriedades são todas
acima de dois mil hectares, predominam o desemprego e as
condições precárias de vida. A situação facilita a chegada
de empresas e a introdução dos monocultivos.
“O
agronegócio da celulose elegeu a região leste do Mato Grosso
do Sul por questões logísticas. Dentre elas, essa ociosidade
das terras. Portanto, reforça aquele discurso de que vieram
para gerar emprego, para recuperar as áreas degradadas. O
pressuposto é sempre partindo do pior.”
As
propriedades com mais de dois mil hesctares conseguiram um
financiamento de mais de R$ 1 bilhão e geraram um valor de
produção pouco maior que R$ 500 milhões. Já as propriedades
menores que 50 hectares multiplicaram por 20 um crédito de
R$ 2,4 milhões.
De São Paulo, da Radioagência
NP, Jorge Américo. |