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09.03.2009
Mulheres Camponesas na
luta contra o agronegócio, por Reforma Agrária e Soberania
Popular
Nós
mulheres, camponesas, ribeirinhas, extrativistas, indígenas,
quilombolas e sem terra, queremos denunciar com nossas ações
políticas a extrema gravidade da situação dos trabalhadores
rurais no Brasil. Não nos subordinaremos a este modelo
capitalista e patriarcal de sociedade, concentrador de poder
e de riquezas. Não queremos o projeto de agricultura do
agronegócio, hidronegócio e das empresas transnacionais no
Brasil.
Nos
mobilizamos para denunciar a crise política, econômica,
social e ambiental criada pelas elites que controlam o
Estado: capital financeiro internacional e transnacionais.
Não aceitamos pagar a conta da crise, com a super-exploracão
de nosso trabalho, baixos salários, aumento da jornada de
trabalho e com o avanço da exploração sobre os recursos
naturais. Por isso, denunciamos:
O agro
e o hidro negócio são insustentáveis:
os monocultivos, com destaque para a cana, soja e eucalipto,
causam um forte desequilíbrio ambiental, sérios problemas
sociais, gerando graves conseqüências para a humanidade,
através do uso intensivo de venenos. É um modelo que se
apropria e domina a água, a terra, as fontes de energia, os
minérios, as sementes e toda biodiversidade. Exerce controle
das sementes, através dos transgênicos, que provoca o
aumento de doenças, especialmente em mulheres e crianças.
Avança sobre os recursos naturais, com a ganância de
aumentar seus lucros sobre as florestas, na Amazônia e no
que resta do Cerrado, da Mata Atlântica, do bioma Pampa e do
Semi-Árido nordestino.
Super-exploração do trabalho:
os grandes lucros deste modelo são obtidos através de baixos
salários, precarização, ameaça constante de desemprego e
condições semelhantes de trabalho escravo. É esta
super-exploração do trabalho que permite que a mercadoria
fruto deste modelo, seja uma das mais baratas e competitivas
do mundo.
Financiamento do Estado:
este modelo é beneficiado através de investimento público
que tira dos pobres em forma de impostos e passa os recursos
para os bancos e empresas. O governo brasileiro recolhe da
sociedade, todos os anos, cerca de 150 bilhões de reais para
transferir aos bancos na forma de pagamento de uma dívida,
que o povo não fez e nunca foi consultado. Os donos desses
títulos não são mais que 20 mil ricos, entre donos de
bancos, especuladores nacionais e internacionais. Sem esses
recursos, o governo não consegue investir em educação,
emprego, saúde, direitos previdenciários, habitação e
reforma agrária. Este repasse se dá principalmente através
do FAT e do BNDES – órgãos governamentais. É o modelo mais
rentável para os capitalistas, e o mais dependente dos
investimentos públicos. Por gerar divisas em dólar, o
governo e o Estado lhes dão total amparo. Em especial, em
linhas de crédito: o agronegócio recebe mais de 65 bilhões
de reais por ano dos bancos públicos, e com isenção dos
impostos de exportação. Exportar apenas matéria prima não
desenvolve o país, nem distribui renda a todos e todas.
Aliança
que afeta a soberania alimentar e o controle da agricultura
brasileira:
há uma aliança entre os grandes proprietários de terra com
as empresas transnacionais que controlam o fornecimento dos
insumos industriais -adubos, fertilizantes, venenos e
máquinas- , o preço e o mercado de cada produto. O Brasil
continua priorizando a exportação de matérias primas, sem
valor agregado, vendendo a preços baixos, e transferindo
parte de nossas riquezas naturais, inclusas no produto.
A
criminalização da luta:
nos últimos tempos, o Estado tem utilizado todo aparato
policial, o poder judiciário e a mídia para defender as
empresas, o agronegócio e a propriedade privada e
criminalizar as lutas sociais.
Reafirmamos a luta como única saída para as transformações
sociais! E temos o direito de lutar!
Nos
mobilizamos para defender a agroecologia, a biodiversidade,
a agricultura camponesa cooperada, a produção de alimentos
saudáveis, a reforma agrária, os direitos previdenciários, a
saúde e educação gratuita e de qualidade para todos. Para
defender a terra, a água, as sementes, a energia e o
petróleo como bens da natureza a serviço dos seres humanos.
Rompemos o
silêncio para resgatar a cultura e o conhecimento camponês,
resgatar o nosso Brasil. E para isso, convocamos todo o povo
brasileiro a ir à luta, para se unir para construir um novo
projeto de desenvolvimento - que beneficie o povo brasileiro
e não as empresas e os bancos.
Seguiremos
lutando e organizando as mulheres, os homens, a juventude
trabalhadora e as crianças para defender os nossos direitos
de viver no Brasil justo, igualitário e soberano.
Viva 8
de março: Dia Internacional de Luta das Mulheres
Trabalhadoras!
Via Campesina Brasil e FETRAF – Março 2009 |