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09.09.2009
Nota do MAB
sobre o caso dos trabalhadores mantidos como escravos
nas obras da
Votorantim
A
Votorantim, mais uma vez, mostrou como trata os
trabalhadores pobres do Brasil. As empresas donas de
hidrelétricas, para obterem altas taxas de lucro, submetem
os trabalhadores a uma situação semelhante à de trabalho
escravo. O fato ocorrido com os 98 trabalhadores nas obras
da Usina Salto do Rio Verdinho, no interior de Goiás não é
algo isolado, ao contrário, é uma tendência em todos os
empreendimentos. Lembramos abaixo episódios parecidos que
aconteceram em março de 2008, também envolvendo a empresa
Votorantim:
Na divisa dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do
Sul, operários que trabalhavam na construção da Usina
Hidrelétrica Foz do Chapecó paralisaram as obras. O fato que
deu início ao protesto foi o espancamento de um trabalhador
pelos seguranças das empresas responsáveis pela obra, que
são a Votorantim, Camargo Correa e Bradesco. As queixas
foram: baixos salários; “aprisionamento” dos trabalhadores
dentro do canteiro de obra; baixa qualidade da alimentação;
insegurança - os que são vítimas de acidentes de trabalho
não têm recebido tratamento adequado; e repressão interna.
Também em março do ano passado, um grupo de operários que
trabalhavam na construção do complexo industrial da
Votorantim Celulose e Papel (VCP) e da International Paper,
em Três Lagoas (MS), fizeram uma manifestação em um dos
pavilhões do alojamento que abriga 1,2 mil funcionários.
Segundo relatos divulgados pela imprensa local, ao chegar ao
alojamento naquele dia, o grupo foi impedido de comer, pois
a empresa não permite refeições fora dos horários
estabelecidos. Além disso, os funcionários classificaram a
rotina no alojamento como a de uma prisão, já que não têm
liberdade de saírem quando querem.
O
MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) lamenta que
obras financiadas pelo BNDES, ou seja, com dinheiro público,
como é o caso da Usina Salto do Rio Verdinho, tratem os
trabalhadores dessa maneira. O discurso do
“desenvolvimento”, sempre dito pelos donos das usinas mais
uma vez é questionado: “desenvolvimento para quê e para
quem?” Com certeza ele não virá para o povo.
Exigimos a imediata punição dos responsáveis e a devolução
do dinheiro do BNDES investido nessa obra. Dinheiro público
deve servir pra o desenvolvimento do povo e não de poucos
donos de empresas.
ÁGUA E
ENERGIA NÃO SÃO MERCADORIAS
Coordenação Nacional do MAB |