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09.12.2010
Kátia Abreu ganha prêmio
'Motosserra de Ouro' por defesa do desmatamento
Do
Greenpeace
Líder
da bancada do agronegócio no Congresso e fiel defensora das
propostas de mudanças no Código Florestal brasileiro, a
senadora Kátia Abreu (DEM-TO) recebeu das mãos de uma
ativista do movimento indígena da Amazônia, junto com o
Greenpeace, o prêmio Motosserra de Ouro, símbolo de sua luta
incansável pelo esfacelamento da lei que protege as
florestas do país.
A ativista
tentou presentear Kátia Abreu com uma réplica dourada do
instrumento usado para desmatar florestas no hall do hotel
em que está hospedada em Cancún, onde participa da 16ª
Conferência de Clima da ONU (COP16). A senadora desprezou o
agrado, visivelmente irritada, e deixou para a ativista
apenas os comentários irônicos de seus assessores. A
condecoração serviu para lembrar aos ruralistas defensores
do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que prevê
alterações na lei, que essa proposta representa uma grave
ameaça ao ambiente.
O projeto
ruralista anistia desmatadores e reduz o tamanho da área que
o proprietário de terra e o Estado estão obrigados a
conservar para o bem público. Fazendas, dependendo do
tamanho, ou serão dispensadas de ter árvores ou poderão ter
menos do que devem atualmente. O projeto também diminui as
faixas de floresta em beiras de lagos e rios e em encostas,
que além de servir como corredores de biodiversidade evitam
enchentes, deslizamentos e protegem a qualidade da água.
Caso a
turma da motosserra consiga mudar a lei nos termos em que
pretendem, tornarão inviável para o Brasil honrar as metas
de queda de desmatamento assumidas em Copenhague, na COP15,
que preveem a redução até 2020 de 36% a 39% de nossas
emissões de gases-estufa. A proposta prejudica também as
negociações sobre Redução de Emissões por Desmatamento e
Degradação (REDD), que institui o pagamento para a
conservação de floresta para quem vive nela. “Se o Brasil
legalizar mais desmatamentos, o custo da conservação
aumentará muito e pode tornar a aplicação do REDD no Brasil
inviável”, explica André Muggiati, representante da Campanha
Amazônia do Greenpeace na COP16.
A bancada
da motosserra continua lutando nos bastidores para que um
novo e enfraquecido código seja votado a qualquer preço,
ainda este ano. Querem que algo tão importante para o Brasil
seja decidido já, por uma Câmara em fim de mandato, e sem a
devida discussão com a sociedade. “As alterações no Código
Florestal representam um retrocesso em uma das legislações
florestais mais avançadas do mundo”, diz Muggiati. |