|
10.04.2008
Aneel reconhece
abuso e diminui tarifa de energia
A
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta
segunda-feira (7), uma significativa queda no preço da energia
em quatro distribuidoras, entre elas as que estavam em primeiro
e segundo lugar no ranking das distribuidoras com as tarifas
mais caras do país, a Enersul (MS) e a Cemig (MG),
respectivamente. A maior redução no valor da tarifa ocorre na
CPFL (SP), que chega a 18,18%. Segundo a Aneel, a distribuidora
incluía no valor da tarifa dos consumidores uma despesa de R$ 80
milhões decorrente da compra de energia no mercado livre. A
outra distribuidora a ter um reajuste negativo de 8,08% na
tarifa é a Cemat, que atende 875 mil consumidores em Mato
Grosso.
A
redução dos preços da energia elétrica é uma demanda antiga do
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da população
brasileira que paga a 5ª maior tarifa do mundo. De acordo com
Marco Antônio Trierveiler, da coordenação do MAB, a diminuição
dos preços foram resultado das mobilizações e pressões populares
feitas em diversos momentos. “Porém, os trabalhadores não vão se
desmobilizar. Enquanto a nossa energia estiver nas mãos de
empresas privadas, a maioria multinacional, e enquanto este
insumo tão importante continuar sendo tratado como mercadoria, o
povo continuará a pagar caro por isso”, avisa Trierveiler. Além
disso, o coordenador lembra que nos quatro casos, trata-se da
revisão periódica feita de quatro em quatro anos pela Aneel, o
que significa que os preços podem voltar a subir na próxima
revisão.
Demissões em nome do lucro
Com a
redução média de 12,24% na tarifa, a receita bruta da Cemig
deverá ter uma queda de 6% esse ano. Uma das medidas, já
implementadas, para amenizar essa perda será a de demitir
funcionários antigos, com benefícios garantidos, e admitir novos
com contratos de trabalho com menos benefícios, vinculados a
“meta de desempenho” do trabalhador. Além disso, o presidente da
Cemig, Djalma Morais, afirmou, em entrevista ao jornal Valor
Econômico, que foi preservada a capacidade de investimentos da
Cemig. Segundo ele, a empresa continuará focada no aumento da
geração, investindo no seu projeto de pequenas centrais
hidrelétricas e participando de todos os leilões que forem
abertos.
Segundo
Trierveiler, "esta posição da empresa, demonstra que eles não
admitem diminuir em nada seus altos lucros. Quem novamente vai
pagar a conta são os trabalhadores que serão demitidos e os
novos terão salários diminuidos".
Tarifa Social
Além da
redução nos quatro estados, a Companhia Estadual de Energia
Elétrica (CEEE), do Rio Grande do Sul, anunciou queda no preço
para aqueles que entregaram as autodeclarações que garantem a
implementação da Tarifa Social. O mesmo já aconteceu em
Rondônia.
|