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10.08.2009
Acampamento em Estreito
completa 20 dias
Atingidos cobram reunião com
empresas para tratar dos problemas sociais e ambientais da
barragem
Os
atingidos pela barragem de Estreito estão acampados em
frente à obra há 20 dias. Na sexta feira passada (07/08),
cerca de 1500 pessoas marcharam pela cidade de Estreito para
dizer à sociedade em geral que estão insatisfeitos com o
tratamento que vem recebendo das empresas responsáveis pela
obra Camargo Corrêa, Alcoa, Vale e a Suez-Tractebel. A
atividade faz parte da Jornada Nacional de Lutas dos
Trabalhadores/as do Campo e da Cidade.
A barragem
de Estreito fica na divisa dos estados de Maranhão e
Tocantins e vai atingir cerca de 20 mil pessoas (as empresas
reconhecem apenas 2 mil atingidos). Segundo lideranças do
MAB, as empresas se negam a reconhecer os indígenas,
pescadores e ribeirinhos e não aceitam reunião com o
Movimento para tratar da pauta de reivindicações. Entre
outros pontos, os atingidos reivindicam a definição dos
parques aquícolas para criação de peixe em tanques redes, a
construção de um atracadouro com infra-estrutura para
processamento e armazenamento dos peixes, definição coletiva
dos critérios gerais para as indenizações, a abertura dos
laudos de avaliação e fornecimento dos mesmos às famílias,
esclarecendo os critérios utilizados e atualização dos
laudos realizados, pois os mesmos foram realizados em 2004.
Nas
negociações do MAB com o governo federal na semana passada,
em Brasília, ficou definido que representantes do INCRA
estarão visitando nesta semana o acampamento e a regiões do
entorno da barragem. Além disso, o Ministro da Pesca,
Altermir Gregolin, também visitará a região na próxima
semana, no dia 18 de agosto. O próprio presidente Luís
Inácio Lula da Silva, em discurso durante o lançamento do
Plano Safra da Agricultura Familiar, no dia 22 de julho, em
Brasília, admitiu ter dívidas com o MAB (Movimento dos
Atingidos por Barragens).
“Esse (o
MAB) é um movimento que eu pedi para o companheiro Dulci
conversar e ver qual é a dívida que o Estado brasileiro tem
com eles, porque certamente nós temos dívidas com eles.
Durante muito tempo se construiu hidrelétricas, se prometia
dar casas, e não veio as casas e não veio as terras”,
reconheceu o presidente. Lula afirmou ainda que não quer
deixar o governo sem pagar essa dívida histórica que o
Estado tem com os atingidos por barragens.
O MAB
acredita que os problemas com os atingidos pela barragem de
Estreito serão resolvidos e que o diálogo, tanto com as
empresas como com o governo é importante para a solução
desses problemas, nesse sentido hoje foi protocolado em
Brasília, o pedido de uma audiência com o presidente.
“Nossas marchas e o acampamento é nossa forma de lutar e
pressionar para sermos atendidos”, lembram os coordenadores
do movimento na região.
Contato: 11 3392 2660 |