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11.11.2009
Justiça Federal ordena
suspensão do licenciamento de Belo Monte
As
quatro audiências públicas realizadas para a construção da
barragem de Belo Monte foram insuficientes para esclarecer a
população sobre os riscos da obra. Frente a isso a Justiça
Federal em Altamira ordenou a suspensão do licenciamento da
hidrelétrica e a realização de novas audiências para ampliar
o debate com as comunidades atingidas.
A
determinação foi expedida ontem pelo juiz Edson Grillo, que
responde pela Vara Federal de Altamira. Segundo ele “a
audiência pública não pode ser considerada mero ato
ritualístico encartado no procedimento de licenciamento
ambiental. Deve ostentar a seriedade necessária, a fim de
que possa fielmente servir à finalidade para a qual foi
criada que, no caso presente, é informar custos, benefícios
e riscos do empreendimento, propiciando o debate franco e
profundo com as populações envolvidas”.
A decisão
recai sobre a alegação de que o Ibama limitou as audiências
a apenas quatro municípios, quando serão atingidos
diretamente pela obra nove municípios, fato que limitou
drasticamente a participação das comunidades. A Justiça não
anulou as audiências realizadas até agora, mas está cobrando
a realização de outras 27 audiências públicas na região.
Além do
Ministério Público, da Justiça Federal e dos movimentos
sociais, que questionam a viabilidade da obra, o bispo de
Altamira, Dom Erwin Kräutler, sistematicamente tem condenado
Belo Monte. Ele afirma que o modelo de desenvolvimento das
obras do PAC abrem todo o espaço para o capital e fala a
partir de sua experiência de vida: “Tenho absoluta certeza
de que na dimensão socioambiental os estudos elaborados
deixam muito a desejar e carecem de um maior aprofundamento,
pois não se trata de máquinas e diques, de paredões de
cimento e canais de derivação, mas de pessoas humanas de
carne e osso, que conheço, de mulheres e homens, crianças,
adultos e idosos, que sofrerão os impactos”.
Em carta
enviada ao presidente do IBAMA, Roberto Messias Franco, o
bispo alerta: “Parece-me que até esta data somente as
considerações e análises do setor energético do Governo
estão sendo levadas em conta e pesam. No entanto há
cientistas de renome nacional e internacional, estudiosos e
peritos que se manifestam opostos às ponderações daquele
setor e comprovam cientificamente a inviabilidade
socioambiental e até financeira do projeto”.
Ao falar
dos estudiosos e peritos, ele se refere ao relatório
publicado recentemente por um painel de especialistas que
condenaram a usina de Belo Monte depois de se debruçar sobre
o estudo de impacto ambiental. A condenação é sobre as
sérias conseqüências ambientais, viabilidade econômica,
ameaça à biodiversidade e problemas técnicos - a pouca
energia efetivamente gerada diante da potência instalada: a
energia firme é apenas 39% do total.
Os
pesquisadores Sônia Magalhães e Francisco Hernandez
denunciam que a onda de discursos dos defensores da barragem
sobre a viabilidade do projeto é falsa e destacam como
paradigmática a situação da Volta Grande do Xingu,
considerada pelo Ministério do Meio Ambiente como área de
importância biológica extremamente alta: “Se construída a
barragem, essa área poderá sofrer uma redução drástica da
oferta de água e do lençol freático, comprometendo os modos
de vida dos povos indígenas Juruna, Arara e Xikrin e de
milhares de famílias ribeirinhas e destruindo toda a
floresta de seu entorno e toda a biodiversidade aquática e
terrestre, incluindo espécies e cavernas que não foram
estudadas. Nem sequer há estudos que possam avaliar
completamente o que ali acontecerá, pois o EIA não os fez.
Ademais, nenhum centímetro quadrado dessas terras é assumido
pelos empreendedores como área diretamente afetada”,
declararam os pesquisadores.
Para o
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), além do belo
monte de problemas, a barragem traz consigo um belo monte de
questionamentos e outras tantas confirmações, como a
intensificação dos projetos de barragens na Amazônia para
saqueio dos recursos naturais, geração de energia para as
eletrointensivas como a Vale e a Alcoa, criação de hidrovias
e escoamento das monoculturas do agronegócio e, assim como
as barragens no Rio Madeira, a barragem de Belo Monte e
todas as outras em construção ou projetadas fazem parte de
um mesmo plano: servir aos interesses dos capitalistas que
vêem no Brasil, e principalmente na Amazônia, uma grande
fonte de lucros.
Com informações da Assessoria de Comunicação
da Procuradoria da República no Pará.
Setor de Comunicação - MAB |